É dia de Rei – Kawakubo, no caso!

27.04.2017

 

Prepare-se: o dia de Rei está chegando. E não confunda com o Dia de Reis, em 6/01 – estamos falando do baile do Met no dia 1/05, que comemora também a exposição no museu que exibe o trabalho de Rei Kawakubo na sua marca Comme des Garçons (a ser inaugurada pro grande público no dia 4/05). É a 2ª vez em sua história que o Metropolitan dedica uma exposição solo a um estilista vivo – a outra foi com Yves Saint Laurent em 1983! E no caso de Rei, que quase nunca dá entrevista e tem um trabalho bem vanguardista que muita gente de fora do meio fashionista acha bizarro e não entende, a expô “Art of the In-Between” pode (e deve) despertar a curiosidade de muita gente. Essas mostras anuais de moda que a instituição promove têm filas na porta, tipo “blockbuster de museu” – vai ser no mínimo instigante observar como o pessoal vai reagir, e como a marca vai ser vista depois disso. Um exemplo “esquisito” é o editorial que saiu na “Vogue” América pra anunciar a expô, estrelado por… Katy Perry. Quem uniria a cantora pop a uma das estilistas mais intelectuais e difíceis da Semana de Moda de Paris? Bom, no caso foi Anna Wintour mesmo…

“De um certo modo, me sinto como se me visse em uma armadilha. Mas não posso parar”, a estilista explica pro jornalista Tim Blanks no “Business of Fashion”, sobre a mostra. É uma história de quase 50 anos (a Comme des Garçons começou oficialmente em 1973, mas Rei já fazia algumas coisas antes) nas costas de alguém que decididamente não gosta de olhar trabalhos anteriores – a cabeça dela sempre está no próximo desfile. “Estabeleci a marca com a premissa de sempre tentar achar algo que não existia, algo novo”, ela explica. E a estética punk, grande novidade da década de 70, sempre rondou suas criações. Mas quando Andrew Bolton, o curador, foi conversar sobre o assunto, Rei queria focar apenas nas coleções dos últimos 4 anos, começando pela primavera-verão 2014. Essa foi a “Not Making Clothing” (algo como “não fazendo roupa”), uma solução que ela encontrou pra continuar criando: simplesmente parou de pensar nos desfiles como criação de roupas, por mais que isso já parecesse parte do seu trabalho (as peças que aparecem na sua passarela não costumam respeitas formas e funções às quais já estamos acostumados no vestuário).

Veja o desfile de outono-inverno 2017/18 da Comme des Garçons

Mas a curadoria quis resgatar o passado: “Não fiquei feliz [com as mudanças] no começo. Nunca quis fazer uma retrospectiva e acabou dando nisso. Houve uma via de mão dupla. É uma mostra do Met sobre a Comme des Garçons, não é uma mostra da Comme des Garçons no Met. Compromissos foram feitos. O ponto mais importante é que finalmente nos comprometemos a mostrar coisas antigas”. O acordo é que, ainda assim, Rei poderia criar uma exposição “de um jeito que nunca foi feito antes. Não queria só mostrar roupas no espaço de outro alguém”. Na curadoria, deve aparecer os conceitos de mu (vazio), ma (espaço) e wabi-sabi (a apreciação estética da imperfeição). Japonismo na sua mais clara concepção – apesar do adjetivo “claro” ser nem um pouco aplicável ao que Rei faz. E a montagem está mais interessada em exemplificar o processo de criação do que em uma linha do tempo.

Sabia que a Gisele vai ser uma das anfitriãs do baile do Met?

Enquanto isso, o Dover Street Market, a rede de lojas que é uma das mais estimulantes pros fashionistas hoje, se encontra em plena expansão – o de Londres mudou da vizinhança fina de Mayfair pro superturístico Haymarket, sul de Picadilly Circus, em 2016. Além de CDG, ela vende outras marcas, inclusive algumas sob o guarda-chuva da Comme des Garçons como Junya Watanabe. Alguma dúvida que, pós-Met, as suas unidades vão ficar ainda mais cheias? A gente não tem. “Art of the In-Between” fica em cartaz até 4/09 – acima você assiste a um vídeo (em inglês) com Bolton falando sobre a sua visão na expô.

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