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Joana Coccarelli só precisa de tesoura e cola

02.08.2011

Joana Coccarelli trabalha em cima de imagens já existentes pra criar composições que normalmente não tem nada a ver com os recortes que lhes deram origem. Há 3 anos, ela redescobriu esse prazer que vem da adolescência, quando ela usava tesoura e cola pra ilustrar a agenda como um diário composto por colagens. “Isso vem lá de trás, quando eu pegava as revistas da minha mãe pra contar através delas o que acontecia na minha vida. Nunca pensei: ‘quero ser artista'”.

Ela virou adulta, se formou em Comunicação (hoje, aos 34 anos, trabalha com marketing), mas em 2008, olhando o trabalho do amigo Iuri Kothe, resgatou o velho hábito com a mesma técnica de colagem e a mesma necessidade de expressar suas ideias de antes. “Era uma coisa que estava adormecida. No começo eu ainda pegava as ideias de composição das fotos que destacava. Com o tempo, comecei a fragmentar muito mais, criando imagens totalmente novas. Dá pra ver isso olhando meus trabalhos antigos. Isso foi acontecendo de forma espontânea e eu ia colocando o que fazia no meu Flickr, sem nenhuma pretensão”.

Reprodução

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"Serpente (Medusa)", de 2010

Mas o que começou com jeito de brincadeira e caráter pessoal – o convite do casamento, por exemplo, era uma colagem que está aí na galeria – foi virando uma 2ª atividade de fato, com cadeira cativa no projeto Araka, que organiza mostras coletivas exatamente pra apresentar o que tem de novo sendo produzido no Rio, onde Joana nasceu. Foi numa dessas expôs que ela reencontrou uma colega de colégio, a designer de acessórios Camilla D’Anunziata, que lhe pediu pra desenvolver um layout pra abrigar uma de suas coleções em seu site – e mesmo pro trabalho online, ela seguiu com sua dupla de tesoura e cola e as revistas de moda e decoração doadas pela mãe e pelos amigos.

“Sempre folheio as revistas com um outro olhar. É nessa hora que começa o processo das colagens, porque é o momento da edição. Vou recortando as imagens e guardando em pastas divididas por gênero”. É a esse banco de dados que ela recorre quando senta pra produzir composições livres ou sob encomenda, como foi o caso do livro de contos “Liberdade Até Agora“, onde cada texto da coletânea tem um trabalho com a sua assinatura. “O Márcio Debellian, idealizador do projeto, e o Eduardo Coelho (da editora Móbile) iam me passando os textos e eu procurava algo nas minhas colagens que representasse o que tinha lido, ou criava algo do zero. Acabou ficando muito mais criação do que acervo”.

“Tomo muito cuidado com as fotos que vou usar, porque o artista que faz colagem é visto com certo receio, principalmente por parte dos fotógrafos, porque nos apropriamos de suas imagens pra criar outra coisa que não vai ter nada a ver com elas. Essa história de direitos autorais é uma longa discussão, que é importante, mas tem muitas vertentes. Já encontrei pessoas que ficaram superfelizes de ver suas fotos numa colagem feita por mim. Acho que a arte envolve essa troca, essa apropriação, que só é válida quando o resultado é único e não tem nada do conceito inicial. Eu mesma libero meu trabalho na internet – pega quem quiser”. Blog LP pegou enquanto conversava com ela e te mostra uma seleção aí na galeria!

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