Victoria’s Secret: será o fim do túnel?

10.04.2019

Os problemas da Victoria’s Secret só tem crescido. O grupo L Brands, do qual a marca de lingerie faz parte, tem visto as vendas caírem trimestre após trimestre, com um estoque parado em expansão. A má notícia agora é que a Moody’s Investor Service, que serve como termômetro pra investidores, fez um downgrade no status da L Brands de estável pra… negativo. Em comparação simplista, é como se um país visse o seu risco-país crescer: ou seja, isso afugenta investidores que preferem colocar seu dinheiro em algo mais seguro ou oportuno. 

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E os motivos? Bom, o mundo mudou e a Victoria’s Secret, aparentemente, não. É cada vez maior o time que acha (e é bastante vocal a respeito) que o desfile anual da marca é anacrônico, assim como a falta de diversidade de seu casting. Só que isso piorou a partir do fim do ano passado: em novembro, o diretor de marketing Ed Razek deu uma entrevista pro site da “Vogue” América que, pra dizer em poucas palavras, queimou o filme de vez. Entre uma das declarações: “Deveríamos ter transexuais no desfile? Não. Não, não acho que deveríamos. Bem, por que não? Porque o desfile é uma fantasia”.

Mulheres protestam seminuas na frente de loja da Victoria’s Secret

Muita gente ficou horrorizada. Inclusive a cantora Halsey, que era uma das atrações do desfile de 2018. Assim que a apresentação foi ao ar pela TV, ela soltou um comunicado via Instagram dizendo que “como um membro da comunidade LGBTQ+, não tolero a falta de inclusão, especialmente a que é motivada pela estereótipo“; e que “se você que está lendo é uma pessoa trans e esses comentários lhe fizeram se sentir alienado ou invalidado, por favor saiba que você tem aliados.” A artista ainda alega que gravou sua participação antes da entrevista de Razek sair.

Confira as fotos do desfile de 2018 da Victoria’s Secret – o último de Adriana Lima

Recentemente foram contratadas duas novas angels, o time principal de modelos da marca: Barbara Palvin (sobre a qual já falamos por aqui; ela seria a substituta da vaga de Adriana Lima) e Alexina Graham. Nada de novo: elas têm o perfil de angel que a gente já conhece e são cisgênero. Apesar de Barbara ter mais curvas que, digamos, a Martha Hunt, é certamente risível, pra não dizer o mínimo, que ela seja uma resposta pros pedidos de mais formatos de corpo na passarela e nas campanhas. No caso de Alexina, existe um diferencial, também risível: ela é a primeira angel ruiva. A modelo deu uma declaração pra “Glamour” UK: “Ser uma angel torna possível um alcance maior na mídia pra que eu diga pras crianças ruivas ‘você pode tudo o que quiser! Nada é impossível!” Hum, OK…

Barbara Palvin e Alexina Graham, as novas angels: cadê a diversidade?

O último desfile da Victoria’s Secret teve uma audiência bem baixa. Em fevereiro, a L Brands anunciou o fechamento de 50 lojas. Enfim, não é preciso ser da Moody’s Investor Service pra entender que a coisa ali não está bem. Quem não lacra não lucra? E você, o que acha?

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