Projeto Akra auxilia na renda de famílias

Kenji Nakamura/Divulgação
Samuray Martins, criador do Projeto Akra, com as artesãs da comunidade de Manoelzinho - confere mais clicando na foto! Próxima Ver mais fotos
Samuray Martins, criador do Projeto Akra, com as artesãs da comunidade de Manoelzinho - confere mais clicando na foto!

O designer goiano radicado na Bélgica Samuray Martins pesquisou muito antes de criar o Projeto Akra. Por 10 anos, ele trabalhou no país desenvolvendo produtos pra marcas como Zadig & Voltaire e a loja de departamento Printemps. Hoje, seu projeto faz uma superdiferença na renda de várias famílias do Maranhão e da Bahia – isso porque Samuray aposta no artesanato como empreendimento pra essas famílias e na valorização da mão-de-obra nacional com o slow fashion. Cada acessório tem seu tempo de produção respeitado, feito a partir das fibras do buriti e da piaçava. E as parcerias? Vix, Liziane Richter e Lenny Niemeyer estão na lista – nada fraca, né? Confere a entrevista que fizemos com Samuray abaixo:

Como se formam as parcerias? 
As parcerias são a base do projeto. Estudamos a proposta e a disponibilidade do ateliê e das comunidades que integram nossa rede pois temos uma capacidade de produção limitada, que nos assegura exclusividade no produto, bem como respeito ao tempo e ritmo de produção do artesão. É o cerne do nosso trabalho.

Bordado filé é protegido contra falsifição com lacre eco!

O Projeto Akra pretende ajudar a desenvolver outros tipos de artesanatos, com outros tipos de materiais?
Sim! Temos outras regiões que vão ser beneficiadas. Gostaríamos de mixar técnicas e materiais pra dar uma maior visibilidade ao artesanato brasileiro. Dentre elas, as fibras do capim dourado, o sisal, caroá e a fibra da bananeira. A intenção é enaltecer as técnicas artesanais nacionais no Brasil e no mundo. E essa oportunidade de chegar em diferentes cidades, vitrines e capitais mundo afora se dá principalmente por conta das marcas parceiras que apostam no projeto. Caso da Vix de Paula Hermanny, por exemplo.

O que você viu na Europa que queria destacar por aqui?
Não somos muito diferentes, mas na Europa o uso da fibra natural não é exclusivo da moda praia. Os europeus se destacam pela maneira de misturar as matérias primas em looks street, valorizam e incorporam peças feitas à mão misturadas com tecidos extremamente sofisticados como tweed e cashmere. Isso agrega muito no lifestyle das grandes cidades, temos sempre a sensação do bem estar com o uso da fibra natural. Até mesmo no inverno!

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Você acha que a mão de obra daqui é desvalorizada?
Trabalho com várias comunidades ao redor do mundo, e na maioria das vezes realizamos as mesmas técnicas no Brasil mas com outro design. Percebi que algumas marcas brasileiras não tinham muito interesse nas peças feitas no Brasil, o mercado ainda achava que os produtos importados eram de melhor qualidade. Não entendia o porquê, o país tem as mesmas técnicas de Madagascar ou Vietnã, por exemplo, só usadas de outra maneira. Comecei a apurar questões imprescindíveis pra permanência no mercado artesanal, que são acabamento e design autoral, e comecei a misturar na minha coleção peças feitas em outros países com as nacionais. Alguns clientes não percebiam a diferença, mas mesmo assim não acreditavam no potencial e seriedade dos nossos artesãos. Aí decidi lançar o Projeto Akra e a Akra Collection pra organizar e atribuir uma espécie de selo de qualidade com acompanhamento próximo e rigoroso – são itens de extrema qualidade. Pra nossa estreia fizemos uma linda campanha com o fotógrafo Kenji Nakamura, demos ao produto um ar contemporâneo dentro do seu contexto.

Quanto tempo leva pra uma comunidade aprender o ofício?
Tudo vai depender do produto e do domínio da técnica pelo artesão. Pra chegar no resultado que espero, geralmente precisamos realizar vários protótipos usando várias técnicas diferentes. Às vezes o protótipo passa por mais de seis mãos diferentes até a finalização da peça. Como já trabalhamos juntos há mais de três anos, os artesãos conhecem a minha visão e a direção que devemos seguir, o que facilita, visto que não moro no Brasil. Após minhas visitas, trabalhamos basicamente pelas redes sociais tipo Skype, Whats e Facebook, uma grande evolução pra alguns deles que nunca haviam usado esse tipo de comunicação. Todo o processo é coordenado por uma artesã que gere as comunidades e também atua como uma assistente de estilo.

Projeto Akra: (21) 3958-0683

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