“Papicha”: a moda como símbolo de resistência em cartaz no cinema!

04.11.2019

Cena de “Papicha”,onde Lyna Khoudri é Nedjama, estudante que ser estilista em plena guerra civil na Argélia

A roupa representa muito mais do que nosso dia-a-dia nos deixa refletir. Tanto que os códigos são claros e rigorosos em várias situações, especialmente quando se trata de religião, como o islamismo em questão. “Papicha” (2019), longa de estréia de Mounia Meddour que disputa a indicação para a categoria melhor filme estrangeiro no Oscar 2020, mostra como o sonho de ser estilista pode se tornar um ato de resistência no auge da Guerra Civil da Argélia, no final dos anos 1990.

O filme diz se inspirar em fatos reais mas não dá muitas pistas. O fato é que a Argélia é a terra natal de um dos maiores nomes da moda, Yves Saint Laurent – e isso por si só deve provocar o desejo de moda em seus jovens conterrâneos. Papicha é a história de Nedjma, jovem linda e sensual que aos 18 anos já cria suas roupas e as vende escondida no banheiro feminino de clubes noturnos em Argel.

Cena do filme “Papicha”, que estreou na 43a. Mostra de Cinema e é indicado para a disputa de melhor filme estrangeiro no Oscar 2020

O que parece um simples ato de modernidade ou rebeldia diante de hijabs e haiks, tradicionais vestimentas de fundamentalistas islâmicos, se transforma numa luta pela liberdade e pelo direito da mulher escolher o que vestir. Enquanto os fundamentalistas atacam aleatoriamente com suas Kalachnikov, Nedjma usa agulha e linha para criar modelos a partir do tradicional haik ou niqab (basicamente um tecido de 5 a 6 metros de comprimento por 2,2m de largura que cobre a cabeça e o corpo da mulher, uma tradição argelina) e realizar um desfile. As coisas não acabam propriamente bem, mas o filme é um delicado retrato diante da brutalidade da repressão da guerra civil aos direitos da mulher e do cidadão em geral – já está em cartaz por aqui.  

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