Categorias: Moda

Pakalolo, agora por um hotspotiano!

15.01.2012

Se você tem 30 e poucos anos, você lembra: tinha Pakalolo no seu armário. E tinha muito. A marca, que hoje é do grupo Marisol, passou por um remake nos últimos tempos: fez roupa tipo magazine, bem básica. Mas aquela pólo, aquela roupa simples demais não lembrava o lado fashion e divertido que está no, pra usar uma palavra bem em voga, DNA da marca. Eis que, há cerca de 7 meses, existe uma pessoa na equipe da Pakalolo que faz a diferença. O nome do estilista é J. Porangaba. E se você não está conectando o nome à pessoa… ele é o J. Pig, egresso da turma do Hot Spot (semana de moda dedicada a jovens talentos)! A marca montou um espaço na feira do Fashion Business de outono-inverno 2012 – o Blog LP passou lá e gostou do que viu (na galeria, a modelo Sabina Gaia posa com alguns looks). Aproveitamos também pra conversar com ele, confira!

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Yéssica Mori
Calça de malha atrás e de jeans na frente mais animal print na blusa!
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Yéssica Mori
Calça flare com tricô
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Yéssica Mori
Saia de flanela, regata com estampa de zebra e casaco de sarja de algodão: mix!

Como foi esse convite?
Na verdade não foi convite, não teve indicação nem nada: mandei meu currículo pra Marisol porque queria trabalhar em indústria. Estive na Cavalera por dois anos e meio, aí cansei de confecção, depois fiquei em Curitiba fazendo vestido de festa por um ano e pouco. Quando eles me falaram que me queriam como estilista da Pakalolo, delirei, né? [Risos] E agora estou lá faz 7 meses.

E como era sua relação com a marca?
Eu era cliente, né? Lembro que fui pra Disney com 12 anos e minha mala só tinha Pakalolo! Depois acompanhei essa história, essa distribuição grande, com roupa tipo magazine. Fiquei triste porque sempre achei que a marca tinha potencial de moda. Foram obtidos resultados positivos de venda, mas os clientes pediam o diferenciado. Quem lembrava da Pakalolo pedia um apelo maior de moda.

Ao olhar a coleção de outono-inverno 2012… Me corrija se estiver errado, mas não sei se tinha muita Pakalolo na geração de estilistas do Hot Spot ou se tem muito de você nessa coleção nova!
[Risos] Acho que você está certo nessa 1ª parte, realmente o pessoal do Hot Spot… Bom, pra você imaginar, depois da contratação a 1ª pessoa pra quem eu liguei pra contar foi pra Pitty (Taliani, da Amapô)! Todo mundo ali era meio contemporâneo, da década de 80, e a gente pegou gosto pela moda comprando Pakalolo, Triton, Zoomp…

Fala mais sobre a coleção nova.
Procuramos não fazer um tema figurativo. Tem muito boho, mas é mais estético do que contextualizado. É um folk que não é étnico, mas sim de uma menina que viaja e é influenciada por SP, pelo sul, por NY, por Tóquio, por Osasco. Sabe? A malha e o tecido plano são os pontos fortes, temos bastante alfaiataria de malha e consegui resultados bacanas porque o material da nossa indústria é muito bom. O jeans aparece como complemento de linha e é bem diferenciado porque a gente não quer mesmo ser “jeanzeiro”, tem muita empresa por aí que já faz. Então, no lugar de uma skinny com preço bom de atacado, tem vestido jeans que pouca gente faz, uma calça com babado lateral, casaco com babado…

E o acervo da marca, você teve acesso?
Não tem acervo! Acredita? Não tem nem imagem de campanha. Quem vendeu pra Marisol já não tinha nada, não fez esse arquivo. O logo, que a gente redesenhou agora a partir do original, precisou de uma pesquisa grande de imagem, por exemplo. E agora a gente tá construindo esse DNA. Mas também tem reflexões: será que a Pakalolo é moletom colorido, hoje? Qual é o desejo na linha da Pakalolo hoje? Começamos a pensar nessas coisas. Pensando no slogan, e eu adoro slogan, “De bem com a vida”… Gosto da comunicação pela roupa, e acho que a moda esqueceu que as pessoas riem, sofrem… E a Pakalolo é moda jovem, mas o que é jovem? O jovem hoje em dia não é uma questão cronológica.

Então você teve que partir de uma imagem que é uma lembrança do que era a marca, mesmo, na cabeça, sem arquivo algum…
Isso. Da memória afetiva das pessoas, perguntando pra elas sobre o que elas tinham da Pakalolo, o que elas gostavam. Encontrei com a Thais Losso aqui no Rio e ela disse: “Jota, eu tenho coisas da Pakalolo”. Não foi uma coisa pensada desde o início, do desenvolvimento desse DNA ser assim, mas acabou virando o que as pessoas lembram sobre a marca.

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