Padmanabh Singh, marajá… e fashionista!

10.08.2018

O marajá de Jaipur Padmanabh Singh, que tem 20 anos e estuda na Universidade de NY, também joga pólo pela seleção indiana. Ele está turistando no Brasil faz 10 dias a convite da marca de moda masculina Zapälla e vai participar de uma partida de pólo na Fazenda Boa Vista nesse sábado, 11/08, no “I Polo Challenge JHSF Zapälla”, pra disseminação da cultura do esporte no país. A gente aproveitou um jantar pra convidados no Parigi do Cidade Jardim nessa quinta, 9/08, pra conversar com ele sobre moda. Sabia que o marajá já desfilou na Semana de Moda Masculina de Milão? Saiba mais abaixo!

Você veio para jogar e divulgar o pólo, certo?
Bom, sempre foi um sonho visitar o Brasil desde criança. Mas por algum motivo nunca aconteceu. E então José Eduardo [Souza Aranha] e João Gaspar [os sócios da Zapälla] me convidaram pra jogar pólo e decidi que poderia fazer disso minhas férias. Cheguei há 10 dias, temos viajado pelo país.

Pra onde você já foi?
Fui pro Rio e Trancoso, que é espetacular! [Ele tinha chegado em SP há algumas horas]

Por que você tinha esse sonho de visitar o Brasil?
Enquanto crescia, via um monte de fotos dos meus avós e minha mãe; eles vieram há muitos anos. Essas fotos são todas tão atraentes… E claro, fora isso o Brasil é um dos países mais interessantes do mundo. A Índia e vocês têm níveis similares de crescimento e desenvolvimento. Então tenho essa curiosidade. Ter a oportunidade de vir e jogar pólo é irresistível, não podia pedir por mais!

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Agora vamos falar de moda. Você esteve numa passarela…
Sim, estive! [Risos] Era algo que nunca achei que faria, nunca planejei, mas estava em Milão na data… Não entraria nessa carreira [de modelo profissional], mas eles [Domenico Dolce e Stefano Gabbana, da Dolce & Gabbana] me pediram como amigos. Isso é algo que nunca terei a oportunidade de fazer na vida quando ficar mais velho, e não queria me arrepender depois por não ter desfilado. Então desfilei! E posso falar? Foi uma experiência incrível, gratificante. Realmente gosto de moda, é uma área que admiramos muito em nossa família. Poder usar um terno lindo e andar pela passarela… não poderia recusar!

Você é amigo do Domenico e do Stefano?
Não os conhecia antes, mas agora somos amigos. Fui a alguns outros desfiles em Milão, mas o que esses caras fazem é de um nível indescritível. E ambos são tão bacanas. [Dolce & Gabbana] é uma das últimas marcas que ainda são controladas pelos próprios estilistas. Eles fizeram o meu fitting pessoalmente, conferindo os ajustes. Perfeccionismo. Foi um prazer! Se eu tivesse a oportunidade de desfilar de novo, provavelmente desfilaria! [Risos]

Já que você é um apaixonado por moda, o que você curte usar?
Nada é melhor que um bom terno de abotoamento duplo. As pessoas às vezes nem sabem o que estão usando, né? E se arrumar diz tanto sobre você. Se vejo alguém em pé numa esquina e observo como a pessoa está vestida… é um jeito de se expressar, um clima, tantas coisas. E acho que um cavalheiro sempre tem que estar bem vestido. Você não é um cavalheiro se não sabe se arrumar.

Padmanabh no Parigi, um pouco antes de conversar com a gente!
Aqui o look inteiro que ele estava usando
Ele é marajá de Jaipur além de jogador profissional de pólo
Olha o Padmanabh na passarela da Dolce & Gabbana!
Aqui com a mãe, Diya Kumari
E aqui com o pai, Narendra Singh
Pronto pro pólo
Que tal? Gostou de conhecer mais sobre o Padmanabh Singh?

E as roupas tradicionais indianas, você usa?
Estou usando uma agora! Isso é uma versão indiana do paletó, um blazer casual, sem a lapela. A variedade de peças tradicionais no país é tão grande e diversa, temos um look diferente pra cada ocasião. Na nossa família temos muitos festivais; só pra dar um exemplo, temos o festival da luz em novembro, quando todos vestimos roupas pretas e turbantes vermelhos. O oposto é o festival das cores, em março, quando ficamos bem coloridos, brincamos com as cores… Existem looks diferentes pra funeral, pra casar, pra quando você é convidado em um casamento – e tudo isso é combinado com um turbante.

O turbante é usado, portanto…
Como uma parte de um uniforme cerimonial. Mas do norte ao sul da Índia, em cada 200, 300 quilômetros, muda-se o jeito de usá-lo. Você vê tantos tipos diferentes de roupa… Estou numa situação e numa posição em que não poderia estar mais orgulhoso da minha cultura. É história, queira ou não, e é tão bela [a cultura do vestuário].

Você mistura essa cultura tradicional da roupa com peças contemporâneas?
Às vezes uso uma gravata-borboleta com essa versão de paletó que estou usando, e com uma camisa de smoking. Essa calça que estou usando também é indiana, parte de uma combinação, e também a misturo com outras coisas. E toda vez que visto um look de gala, um smoking, gosto de usar as medalhas da minha família, a estrela da Índia, as estrelas da minha família. Essa mistura é algo único, que representa meu país.

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Você tem um ícone fashion?
Príncipe de Gales, o príncipe Charles, que é meu padrinho. Ele sempre está muito clássico, muito elegante. Acho que ele herdou isso do pai, o duque de Edimburgo, príncipe Philip, com aquela alfaiataria inglesa sob medida. Em matéria de looks formais, eu citaria os dois. Já no casual… bom, não gosto muito de cores, gosto de usar só preto e branco.

Por quê?
Não sei, é meu jeito. Meus amigos me falam que eu devia ousar mais, mas gosto de ficar no P&B. É um sucesso comprovado, por que mudar? [Risos] Você nunca erra no preto e branco!

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Quantas malas você leva quando viaja?
Normalmente algumas… [Risos] As pessoas que viajam comigo sempre estão reclamando! Mas quando viajo com a minha mãe [Diya Kumari, filha do marajá Bhawani Singh], e ela viaja com quase 20 malas, aí fico OK, porque a minha quantidade é menor! [Risos]

Mas quantas você trouxe pro Brasil?
Você não vai acreditar, mas só uma.

Ué! Por quê?
Decidi que era melhor só uma porque ia viajar muito por aqui. Mas antes disso, em outra viagem, levei 6 malas; e em NY eram 9… Um pesadelo! [Risos] Acho que agora vou começar a viajar leve!

Sério?
Bom, eu vou tentar! [Risos] Mas pra ser honesto, pra que viajar leve? Se você tem as roupas e gosta de se arrumar, por que reprimir o que você gosta? Quero ser capaz de vestir o que gosto, e não quero repetir; quero vestir coisas diferentes a cada noite, dependendo do meu humor, dependendo do clima. Algumas pessoas não gostam de se arrumar, tipo o meu pai [o marajá Narendra Singh], que quer um terno e pronto. Ele adora viajar leve; mas se eu gosto de moda… Como eu disse, é uma plataforma incrível pra se expressar. Adoro ter várias opções, vários tipos diferentes de look… Amo moda, o que posso dizer?

Bom, nem dá pra imaginar o tamanho do seu closet…
Em casa? [Muitos risos] Espere até ver ao vivo!

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