A opinião de Lilian sobre o uniforme da Andrea Marques pras Olimpíadas

21.08.2016

Podemos respirar aliviados. Deu tudo certo, batemos nosso recorde em medalhas, demos um show de alegria e de beleza. Mesmo assim, ainda vai render muito o uniforme que Andrea Marques criou pra equipe que entregou as medalhas durante as Olimpíadas 2016. Andrea, cujo trabalho acompanho desde a época da Maria Bonita Extra, recebeu uma saraivada de críticas quando os looks foram apresentados: Jeca, figurino de “A Grande Família” e daí pra baixaria. Aviso logo que estou aqui pra colocar ainda mais lenha na fogueira: eu gostei!

Vamos aos fatos: a versão do lançamento (muito criticada) ainda não estava completamente pronta. A estilista deu uma entrevista pra “O Globo” dizendo que os looks estavam em fase de testes só que, pra participar do evento em que as medalhas em si foram exibidas pra imprensa, acabaram aparecendo do jeito que estavam. Além disso, foram exibidos com a luz errada, no cenário errado, de um jeito que até pode fazer sentido pra cobertura esportiva mas, pro jornalismo de moda, não. Como a moda é aspiracional, é preciso cuidado ao apresentar um look dessa importância.

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O que vimos durante os jogos foi a versão final. Jeca? Um pouco. “A Grande Família”? Um pouco. A cultura caipira, o exagero, o suburbano, o barroco, o tropical, tudo faz parte do nosso país. E não tem nada de necessariamente feio. O Brasil é um pouco de tudo. Andrea, que faz uma moda sofisticada e chiquérrima (pode ver aqui no site seus desfiles de alto padrão de qualidade e inventividade), ousou, por exemplo, ao optar por um look singelo, de estampa floral. Mas tudo conversava com nosso clima: da escolha do material principal, o algodão, à alfaiataria que se conecta à elegância dos sambistas, assim como o vestido acinturado, bem feminino e delicado – quebrando o clichê da mulher sexy que os gringos sonham encontrar aqui.

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É preciso olhar mais pra dentro e se resolver, se valorizar. E o símbolo-mor da nossa criatividade, que sabe contornar dificuldades, é o broche do uniforme da Andrea: flores de garrafa pet desenvolvidas por artesãs de 4 cooperativas de Goiânia. Lembrando Marisa Monte, “O Brasil não é só verde, anil e amarelo, o Brasil também é cor de rosa e carvão…”. Certo, Seo Zé?

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