Noonoouri não existe – mas ela tem alma!

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Noonoouri pra Dior - fina! Vem ver mais dessa influenciadora virtual Próxima Ver mais fotos
Noonoouri pra Dior - fina! Vem ver mais dessa influenciadora virtual

Noonoouri passou pelo Brasil! Ou melhor, quem passou foi seu criador, Joërg Zuber. O diretor de criação da agência de design e branding de Munique Opium Effect, que já trabalhou com marcas como Chanel, Louis Vuitton e Bulgari, veio participar do Iguatemi Talks e falar sobre a sua invenção, essa influenciadora digital virtual. Noonoouri é seguida por gente como Carine Roitfeld, Marc Jacobs, Suzy Menkes e Kim Kardashian, marcas como Versace, H&M e Dior (que a contratou pra divulgar a coleção de pré primavera-verão 2019), e parece um desenho japonês. Atualmente, já passou a casa dos 150 mil seguidores, o que não é muito em termos quantitativos, mas em qualitativos… Confira nosso papo com Joërg! 

Quando a ideia da Noonoouri surgiu?
Bom, quando eu tinha 5 anos já gostava muito de moda. Tinha um grande vício em revistas de moda. Aí eu pensava: “Nossa, como gostaria de ter uma boneca com cabelos longos, vestidos lindos etc.” Claro que ainda não existia essa coisa do digital, pensava nela mais como uma melhor amiga.

Tipo uma amiga imaginária!
Exato, tipo isso! Continuando: nesses 18 anos trabalhando com moda, tenho olhado pras blogueiras e influenciadoras, pensando que elas são bacanas, mas em alguns momentos sinto falta de informação substancial. De onde essa bolsa vem? Por que algumas modelos são chamadas de supermodelos? Quem as inventou, de onde elas vieram? Então comecei a pensar em alguma maneira de alcançar uma audiência jovem de uma maneira legal e divertida, e não em tom professoral. Há 7 anos comecei a desenhar Noonoouri, e procurei investidores pra me ajudar, porque é muito dinheiro pra fazê-la funcionar, mas não consegui.

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E nessa época você já a imaginava como uma influencer com mais conteúdo?
Sim, com mais qualidade de informação. Imaginava algo entre Naomi Campbell e Kim Kardashian. Pra mim, Naomi é o inalcançável, uma mulher maravilhosa de outro mundo; e Kim é algo num nível mais olho no olho, a cara das mídias sociais. Ela transformou tudo. 

Então Noonoouri tem olhos grandes por causa de Naomi e Kim?
Na verdade queria criá-la como algo que não desse medo. Não gosto do termo avatar. Não gosto de robô. Tudo isso pra mim é não-humano. Ela obviamente não é real – não fico dizendo pra você “ah, agora ela está no quarto do hotel” etc. [Risos]

Tipo fazem com a Lil Miquela!
Exato! Mas de qualquer forma Noonoouri tem uma alma. Quis criar algo com o qual as pessoas gostariam de brincar, que as pessoas gostariam de convidar. A alma dela é nutrida por mim, portanto ela tem um conhecimento de moda de 30 anos por minha causa. Ela tem substância, qualidade; possui relação com editoriais de moda clássicos, tenta imitar poses. Noonoouri sempre quer ser como uma humana, mas nunca vai ser. Eu a deixei menor, e não tão bonita. Poderia tê-la feito perfeita. Mas queria algo que fosse como todos nós, com nossas dificuldades e problemas que precisamos enfrentar. Então ela é baixinha, tem uma cabeça grande, os olhos gigantes; tudo isso pra passar a ideia de que ela é dependente dos humanos. Ela não pode falar, por exemplo. Só pode escrever. Precisa de outra pessoa pra dar uma entrevista, não consegue responder sozinha.

Ela é kawaii. Ela é tipo a Hello Kitty, então.
Isso, você resumiu. Ela é a Hello Kitty da moda. Tem gente dizendo: “Não precisamos de um robô, ela está tirando o trabalho de influencers”. Não é por aí! Sempre encorajo pessoas reais posando com ela, isso a deixa muito mais poderosa e também faz com que a pessoa ganhe. Como a capa da “Madame Figaro” com a Carine Roitfeld. Ao unir-se com Noonoouri, Carine está dizendo: “Abraço o futuro, me relaciono com o novo, tenho um pensamento de vanguarda”. E é a mesma coisa com o nosso trabalho com a Dior. Tenho um número de seguidores que não é exatamente alto perto de outras influenciadoras, mas eles chegaram em mim dizendo que isso não importava, que a qualidade dessa audiência que importava. 

E o número de seguidores após a ação da Dior deve ter crescido. Cresceu?
De um fim de semana pro outro, cresceu 10 mil.

Foi a primeira marca de luxo que te procurou?
Sim, e também foi praticamente o primeiro trabalho pago que fiz com Noonoouri. Ela começou com uma das maiores marcas de luxo do mundo, o que mais posso pedir? [Risos]

Você sabe se eles pagaram a mesma coisa que pagariam pra uma influenciadora da vida real com o mesmo número de seguidores?
A Dior foi muito justa. Nunca pediu pra gente fazer isso de graça ou algo do tipo. O processo de criação de cada post, seja ele em foto ou vídeo, gasta bastante tempo, geralmente preciso explicar isso tudo. Tenho que admitir que ainda sou novo nesse mercado [o Insta da Noonoouri começou em fevereiro desse ano], então não sei qual é o valor a cobrar de acordo com o número de seguidores. Calculei o preço mais pelas horas de trabalho, assim como cobraria num trabalho freelancer de produção gráfica. Hoje provavelmente incluiria um valor de mídia a esse valor de produção. Muitas marcas europeias pequenas, no começo, me ofereceram: te dou 500 euros pra isso, te dou 100 euros pra aquilo. Recusei tudo pois queria posicionar a Noonoouri entre Naomi e Kim. Não quero que ela vire tipo uma apresentadora de programa de compras desses que passam na TV, vendendo de esmalte a centrífuga de suco. Preciso, por exemplo, ver o produto, tocá-lo, pra saber se a Noonoouri gosta daquilo e se divulgaria aquilo. 

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Mas a Noonoouri gostaria de algo que você não gosta?
Boa pergunta. [Pensando] Somos muito similares. Ela é mais calma que eu, então quando respondo algo preciso ter isso em mente porque ela é zen. E paciência não é um dos meus atributos! Mas… ah, já sei, sorvete. Ela adora sorvete, chocolate, doces no geral, e eu não curto muito! [Risos] Mas preciso tomar cuidado, se descuidar ela fica mais redondinha! [Risos]

Sério?!
Na verdade rolaram uns posts nos quais ela estava mais redonda, não tenho certeza se as pessoas notaram! Sério, às vezes faço esse tipo de coisa. [Risos]

É assim que você vai criando uma alma pra ela, né? Um storytelling.
Pra mim é muito importante, não posso criar uma história como algumas blogueiras fazem [ele faz um movimento como se estivesse se filmando num story do Insta], “é isso que estou usando hoje”… Esse vídeo demoraria duas semanas pra eu fazer, é impossível! Preciso pensar no que entregar pra audiência, coisas diferentes disso. Tem, por exemplo, essas comemorações de cada dia, o “Dia do Chocolate”, o “Dia da Conscientização sobre os Tubarões”…

Isso existe?!
Existe um dia pra tudo! Então escolho os que vou usar e tento combiná-los com algo de moda ou fotografia. Há alguns dias teve o “Dia da Gagueira”, que é uma questão importante. Posiciono a Noonoouri como “a voz dos que não tem voz”, mesmo que contraditoriamente, já que ela não fala. Tópicos como feminismo, direitos das crianças, dos animais, proteção da natureza. Gosto de gerar conscientização com ela pra coisas que não são tão discutidas, encontrando analogias com imagens de moda. Tento fazer uma agenda de posts com duas semanas de antecedência. E descobri, com isso tudo, que os jovens estão muito interessados em informação. Esse papo de “ah, essas crianças, elas não estão interessadas em coisa alguma”, isso não é verdade. Acho que talvez eles não queiram ler muito, se aprofundar em algumas coisas, mas se você der um divertimento leve e cativante junto com a informação, eles embarcam.

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