Moda e arquitetura se cruzam na marca D-Aura

07.09.2016

As peças variam de R$ 69 a R$ 219. Lindas, né? Gostou?!
Olha esse laranjão, único ponto de luz na cartela de cor que, no restante, é bem sóbria
Os tecidos mais usados são lyocell, modal, sarja, moletom e neoprene
Elas brincam bastante com modelagens arquitetônicas: estruturadas e com recortes
As roupas tem uma pegada bem urbana
Confira o editorial com a coleção “Linhaentrelinha”, da D-Aura!

Inaugurada esse ano, a D-Aura, que vem de “the-aura” que significa “a aura” mesmo. É uma marca de roupas bem urbanas do agora estilista Lucas Menezes. Formado em arquitetura na FAU-USP, ele entrou no ramo da moda criando modelagens arquitetônicas e a gente, que é muito curiosa, correu atrás de saber como foi tudo isso! Na galeria ainda te mostramos a coleção “Entrelinhas”, que ele gostaria de ver artistas como Liniker, Filipe Catto, Jaloo, Karol Conka, Johnny Luxo, Candy Mel, Davi Sabbag Mateus Carrilho usando, por se identificar com seus discursos sobre gênero, sexualidade, urbanidade, amor e personalidade. A marca tem menos de um ano e Menezes acredita que “existe uma necessidade de reforçar e afirmar os conceitos que proponho, e pretendo construir isso mais solidamente nesse primeiro momento”. Enquanto isso, confira mais detalhes na entrevista!

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O que fez você transitar da arquitetura pra moda?
Diria que foi uma fusão entre inquietação e vontade de explorar novos campos dentro do meu processo criativo. A moda sempre esteve no meu background como uma paixão, que apenas não havia sido escolhida pra ser aprofundada dentro de uma formação acadêmica. Todo o conhecimento que já apreendi e que venho colhendo com minha formação dentro da universidade tem um potencial de intersecção com a construção da vestimenta. O que realmente aconteceu foi uma mudança do produto final. A escolha dessa transformação vem da capacidade que vejo, dentro desse novo campo, de aprofundar conceitos e estéticas que eu não conseguia externar por intermédio da arquitetura.

Você deixou a arquitetura? Ou vai seguir ambos os caminhos?
Não diria que deixei. Gosto de enxergar uma permeabilidade entre os processos criativos e pensamentos projetuais. A arquitetura é algo muito vivo dentro de mim que, em conjunto com a universidade, ajudou a fortalecer meus ideais e me sentir confortável pra consolidá-los materialmente, através da moda. Não sei dizer o que será no futuro, se terei a possibilidade de seguir na atuação de ambas as carreiras. Tive um processo de dois anos e meio dentro de um escritório de arquitetura que acabou se revelando uma experiência incrível. Mesmo que não seja possível seguir com a execução de projetos arquitetônicos, a pesquisa relacionada a esse campo nunca se esgotará pra mim.

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Você fez algum curso sobre moda? Como começou a trabalhar com modelagem?
Desde o princípio da faculdade, quando, após muita reflexão, decidi seguir a arquitetura, havia colocado pra mim que o estudo da moda não seria barrado. Decidi começar por um curso livre sobre criação de coleções, onde conheci uma professora que me indicou pra um concurso. Sem muito conhecimento técnico sobre a “coisa propriamente dita”, decidi arriscar e fui chamado pra executar um look pra um desfile dentro desse concurso. Nesse processo passei a ter contato com a costura e com o processo de modelagem. Passado esse momento, fiquei instigado por questões pertinentes a esse processo e decidi aprofundar-me dentro do assunto. Me matriculei em um curso técnico básico e comprei uma máquina de costura caseira. Depois disso meu desenvolvimento foi muito orgânico e experimental. Finalizei o curso e continuei fazendo minhas experimentações, montando e desmontando peças, até entender como que todo aquele conjunto funcionava. A modelagem é uma fase muito delicada dentro do meu processo criativo, na qual gosto de explorar todas as suas capacidades pra composição da peça, sua fusão com o tecido e suas propriedades, entre outros elementos.

Como surgiu a D-Aura?
Ela é, de certa maneira, um sonho que ficou por muito tempo congelado. Desde que comecei minhas investigações dentro do campo do vestuário, fiquei instigado a começar uma marca própria. No escritório de arquitetura em que trabalhei, me aproximei muito de uma amiga da faculdade que compartilhava vontades e ideias próximas às minhas. Começamos a trocar inquietações e decidimos organizar um bazar dentro da nossa faculdade. Fizemos algumas peças, cada um no seu segmento, e levamos pra lá em um dia que estava acontecendo as provas do vestibular. Depois disso desenvolvemos uma coleção-cápsula de regatas e acessórios pra vendemos nos bloquinhos de carnaval que aconteciam em SP. Com o feedback que tive desses dois momentos, consegui levantar uma produção e decidi participar de um Mercado Mundo Mix. Lá tive um contato maior com o público e com a organização do evento que, desde então, vem me dando um grande apoio, o que tem ajudado bastante pro fortalecimento e desenvolvimento da marca.

O que te inspira?
Tudo. Caminhar da minha casa até o metrô pode ser inspirador pra mim. Um professor da universidade colocou durante uma aula que devemos sempre estar de mente aberta e olhos analíticos pra tudo o que acontece ao nosso redor, pois insights podem vir de onde menos esperamos. Diria que a rua é um importante ponto de partida pra mim. Gosto de observar como as pessoas se vestem e imaginar como seria criar algo a partir do conceito que determinada pessoa está tentando imprimir com sua roupa. Música, arquitetura e as características dos tecidos são, também, elementos muito sensíveis no meu processo criativo.

Na nossa galeria você pode conhecer mais de perto as roupas, que vendem online e no Clube Vintage – é só clicar na foto pra ver!

D-Auradaurabrand@gmail.com

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