Yes Logo: a logomania está de volta

20.01.2014

A Opening Ceremony continua apostando nessa: camiseta que está a venda
A Rodarte zoa com a própria cara: as próprias irmãs Mulleavy lançaram essa camiseta
Versão brasileira Herbert Richards? Brincando com a febre de bonés da John John, apareceram os… Jãum Jãum!
Olha essas camisetas da Reason Clothing, brincando com Chanel e Prada!
A Reason Clothing tem pegada bem-humorada e acabou virando hit de pirataria em camelôs – e irritou Hedi Slimane, que decidiu parar de vender Saint Laurent Paris pra Colette porque a multimarca vendia essa camiseta
Outra provocação de Wil Fry: logos de outras marcas, todos misturados, na linha Expensive
Wil Fry é o mais “sofisticado” do streetwear-logo: ele fez essa jaqueta, batizada de Collab, com propagandas de outras marcas estampadas em P&B
Peggy também fez camisetas pra Wacky Wacko com nomes de bandas e artistas em forma de logos
Peggy Noland é outra dessa turma streetwear-logo, mas com pegada bem maximalista
Já é um clássico hipster: a moda de Heron Preston. Melhor que isso pra eles, só a blusa da empresa em si, involuntariamente fashion
Hype entre os hipsters e uma das representantes do streetwear-logo, a Hood by Air desfila em NY. Esse look é da primavera-verão 2014
Ainda na turma discreta, a coleção da Versus de JW Anderson apresentada em 2013 teve styling com logomania: grudaram “Versus” no corpo dos modelos
Alexander Wang, outro fã dos anos 90, fez a logomania na primavera-verão 2014 de maneira sutil: esses recortes na blusa formam “Alexander Wang”, um embaixo do outro. Mas só não vê quem não quer, né?
A mesma dupla da Opening Ceremony fez coleção cápsula pra DKNY de primavera-verão 2014. A marca, que completa 25 anos, era superadepta ao logo quando começou
A marca que levantou essa bola na moda de luxo: Kenzo! A dupla Carol Lim e Humberto Leon, da Opening Ceremony, assumiu o estilo da marca e a transformou em hype. Um dos segredos foi explorar o streetwear e a logomania – os hipsters de luxo amaram
Graffiti by Stephen Sprouse de volta na alegoria que abriu o último desfile de Marc Jacobs pra Louis Vuitton, de primavera-verão 2014 – da 1ª vez que apareceu, a estampa já era uma releitura do monograma da marca ocupando a bolsa inteira
A coleção da Calvin Klein Collection de outono-inverno 2014/15, desfilada em Milão, traz os logos dos perfumes Eternity, Obsession e Escape bordados em moletom. Candidato total a hit!
A Moschino era uma das marcas mais “logomaníacas”. Com a entrada de Jeremy Scott, a abordagem ganha um tom divertido: esse look é do pré outono-inverno 2014/15

No meio da década de 90, auge do grunge, começou uma aversão por logomarca. Era a época do minimalismo, mas além disso os movimentos sociais antiglobalização contra o consumo desenfreado, de pegada bem esquerdista, começaram a ganhar muita força. Alguns dos saldos foram a Batalha de Seattle em 1999 (contra o encontro da Organização Mundial de Comércio organizado na cidade) e o livroNo Logo” lançado no mesmo ano (em português, “Sem Logo – A Tirania das Marcas em Um Planeta Vendido“), da canadense Naomi Klein. Moral da história: usar logo na roupa ultrapassou o cafona e pegava muito mal. Não se via mais as onipresentes camisetas da Calvin Klein e do Hard Rock Cafe.

FOTOS: camisetas que falam

Mas de uns anos pra cá a logomania tem ensaiado sua volta, encabeçada pela dupla Carol Lim e Humberto Leon, da Opening Ceremony e Kenzo. É bom esclarecer: sempre existiu camiseta com logo e gente usando, de Lacoste a Osklen. Só que agora a imagem da camiseta do logo voltou a ser um desejo fashionista. Blog LP levanta alguns dos possíveis motivos: o 1º pode ser a massificação via fast-fashion. Porque em matéria de roupa, as pessoas não precisam mais ir ao camelô e comprar pirataria – a fast-fashion traz a tendência da grife cara por muito menos, e a consciência de quem usa até fica mais tranquila, como se a cópia se justificasse pelo local onde você comprou… Mas e quem tem dinheiro pra comprar da grife em si, como faz pra “avisar” que a sua peça não é da fast-fashion? Simples: com um logo gigante em bordado de linha. Aproveita que o logo em si a fast-fashion não pode vender, né? E aí o funk ostentação pode ser a trilha.

Mas não é só na passarela que a tendência aparece, e aí que mora o “pulo do gato”. Um dos #teamlogo mais fervoroso é o… hipster. Ele, que no seu humor pra alguns refinado e pra outros brega, usa um boné da Texaco como se fosse um boné da Givenchy, com orgulho. Rato de brechó por excelência, o hipster acha o ápice do cool usar uma camiseta usada com uma logomarca, e ela nem é necessariamente de moda. Na lógica deles, mostra um descaso underground, meio primo torto do grunge (aquele que era uma resposta justamente ao mundo rico das marcas poderosas). É a piada que já virou clássica: “hipster ou mendigo?”.

E se a Miuccia Prada jogasse no seu time?

Esse streetwear-logo acabou ganhando estilistas especializados (vide Heron Preston, Peggy Noland e outros), e uma de suas maiores características é recontextualizar logos famosos, de preferência de maneira engraçada. Escapismo ou crítica? O que dá pra dizer é que os maiores fãs dessa tendência são jovens que nasceram justamente nos anos 90 e cresceram no contexto da globalização, enxergando as marcas como uma realidade bem estabelecida e brincando com elas, sem levar nada muito a sério. E aí, você vai aderir?

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