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Jason Wu avisa: “Eu voltarei!”

20.07.2011

Aurea CalcavecchiaJason Wu no Brasil

Ele já era um dos nomes proeminentes da nova geração da moda americana quando Michelle Obama decidiu usá-lo no baile em que seu marido comemorou o título de presidente dos EUA. Depois disso, Jason Wu se tornou internacionalmente conhecido. E a Melissa o convidou pra uma parceria que resultou na Melissa + Jason Wu, com modelos de calçados de plástico bem femininos. O estilista, que nasceu em Taiwan, já morou no Canadá, ParisTóquio e desfila na Semana de Moda de NY, veio pro Brasil pra lançá-los. Blog LP aproveitou pra conversar com ele, confira!

Jason, você começou criando roupas de boneca, é isso?
Bom, comecei fazendo design de brinquedos quando tinha 16 anos, e esse foi meu 1º emprego. Estava no 2º grau e queria trabalhar.

E o que você acha que aprendeu dessa época que ainda usa até hoje?
Tudo nos brinquedos é em miniatura, portanto existem muitos detalhes. Acho que essa atenção aos detalhes fazem parte do meu trabalho atualmente. Sempre existe aquela coisa pequena que você não vê de cara, isso faz diferença no que crio.

Você é parte de um grupo de novos estilistas dos EUA que começaram mais ou menos na mesma época. De 2006, quando lançou sua marca, até hoje, o cenário mudou?
Na verdade, o cenário econômico era terrível quando comecei! [Risos] Tive que trabalhar duro, assim como meus colegas. Acho que há tantas oportunidades pra jovens estilistas hoje… Ao mesmo tempo, o desafio é grande pra quem começa agora, porque tudo é tão rápido, as notícias vão tão rápido, e é difícil manter uma marca, sustentar uma coleção e continuar crescendo. Isso tem sido um bom desafio pra mim – evoluir, tornar tudo melhor a cada temporada, e expandir cada vez mais a marca pelo mundo, não somente nos EUA.

Quais são as estratégias que você usa pra manter a marca e expandi-la?
Minha estratégia é dar um passo de cada vez. É muito importante não tentar fazer tudo de uma tacada. Vou aos poucos. Lancei a 1ª coleção de acessórios no ano passado, e tento fazer alguma coisa nova a cada temporada, algo que nunca fiz antes, mantendo o estilo e a sensibilidade que faz parte do meu trabalho.

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É diferente criar acessórios e criar roupas?
É diferente… e é a mesma coisa. Diferente no sentido de serem habilidades diversas que você precisa. Pra sapatos, é necessário criar o salto, por exemplo, e tem que saber sobre os couros… É todo um conjunto novo de coisas que preciso aprender, e uma série de novos profissionais com quem preciso trabalhar. E é a mesma coisa no sentido do padrão de qualidade e do estilo, que não mudam. Isso é muito importante, as roupas e os acessórios precisam ter uma assinatura só, de Jason Wu.

Voltando pra esse grupo de novos estilistas do qual você faz parte… Vocês têm algo em comum?
Acho que muitos de nós somos asiáticos… [Risos] Nossos estilos são diferentes, mas todos damos duro, acho importante ressaltar isso. As pessoas acham que a moda é glamurosa, mas no fim das contas, pra durar a longo prazo, você tem que trabalhar bastante. Não é simplesmente ficar feliz com sua coleção. Precisa continuar, fazer melhor pra tudo crescer, e crescer, e crescer…

E o que você já fez no Brasil? Você chegou… segunda-feira?
Segunda, sim! Fiquei muito ocupado com reuniões, entrevistas e preparando a Galeria Melissa, que cobri com renda – a mesma dos sapatos. Ficou muito bonito. Mas, enfim, tive a oportunidade de ir a bons restaurantes também. E fiquei muito surpreso ao saber que o Brasil tem muitos japoneses! Fui no Kosushi, muito gostoso. Tenho muitos parentes no Japão, minha cunhada é japonesa… Também soube que por aqui se come muita pizza. E fui no D.O.M. [de Alex Atala], um dos restaurantes mais deliciosos que já vi. A comida é tão linda, visualmente falando mesmo, e é tão romântico. A experiência foi ótima.

Você vai embora quando?
Amanhã. Vou pra China. Vou tentar sair hoje, no Número, vai ter uma festinha lá.

Você acha que o Brasil vai te inspirar nas próximas coleções?
Sim, com certeza. Toda vez que viajo, levo algo comigo. Aqui não será diferente. Quero tentar ir a alguns museus ainda hoje. Acho que vou ter várias ideias.

Você gosta do trabalho da [artista brasileira] Beatriz Milhazes, inclusive, não?
Sim, fiz uma coleção inteira inspirada nela [a de primavera-verão 2011]! Quer dizer… acho que já estava escrito que eu viria pro Brasil. [Risos]

Como foi o processo criativo com a Melissa?
Encontrei com eles há mais de um ano. Não sabia que a Melissa era tão grande no Brasil, com tanta história! Encontrei algumas pessoas ontem à noite [no lançamento da parceria] que me contaram que cresceram usando Melissa. Como estilista, adoro a ideia de brincar com essa história. Assinei a parceria porque fiquei curioso pra saber como seria trabalhar com um novo material, plástico, que nunca usei antes.

Você acha que a parceria vai ter continuidade?
Ah, já comecei as próximas colaborações!

Ah, é?!
É, já.  Isso é só o começo, tem tanto a fazer, e tanto que eu quero fazer ainda… Vai ter mais, eu voltarei! [Risos]

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