Isabel Marant X México, um caso de apropriação cultural

20.11.2015

Quando o assunto é apropriação cultural, às vezes é muito difícil, especialmente pra quem não é o lado que vê sua cultura ser apropriada, entender se existe um limite – o que seria considerado apropriação e o que não seria. O debate é extenso e precisa ser mais aprofundado mesmo. Mas nesse caso que estourou envolvendo a estilista Isabel Marant atualmente tem linhas menos tênues, e talvez seja mais fácil de analisar. Segundo agências de notícia mexicanas, os habitantes de Oaxaca receberam um documento do governo da França avisando-os que eles não poderiam mais vender as blusas bordadas típicas da região sem pagar direitos autorais pra duas empresas: Isabel Marant e Antik Batik, ambas francesas. Isso porque as duas teriam a patente (!) da blusa em questão.

Relembre: a Valentino também foi acusada de apropriação cultural nesse ano

Essa notícia, que ainda não foi confirmada pelas autoridades francesas, segue-se às acusações contra as próprias Isabel Marant e Antik Batik de, aí está, apropriação cultural e até plágio, na ocasião do lançamento das tais blusas na coleção da estilista. A história está repleta de furos que devem ser esclarecidos: o prefeito da cidade, Erasmo Hernandez, diz que não tomou conhecimento do documento. A própria Isabel, quando foi acusada, declarou publicamente que o design da blusa vinha de Santa Maria Tlahuitoltepec, a vila em Oaxaca, e que ela não requeria a autoria da criação (mas, ainda assim, as vendeu com sua etiqueta, aparentemente sem pagar direitos autorais à vila). Essas blusas são típicas da região há pelo menos 300 anos. Isabel é conhecida pelo estilo boho do seu trabalho, que mistura referências étnicas. Clica na foto pra acessar a galeria e conta pra gente: qual é a sua opinião?

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