Fez-se a luz nessa expô de moda na Japan House!

Paco/Divulgação
A luz revela estampas escondidas nos looks pretos. Essa é a Anrealage! Vem ver mais da exposição Próxima Ver mais fotos
A luz revela estampas escondidas nos looks pretos. Essa é a Anrealage! Vem ver mais da exposição

Abre nessa semana na Japan House de SP a exposição “A Light Un Light“, que mostra looks criados por Kunihiko Morinaga, o estilista da marca Anrealage. Atualmente a Anrealage se apresenta na Semana de Moda de Paris e Morinaga pesquisa a luz – o visitante vai se surpreender ao ver estampas que mudam ou se revelam com incidência da luz no tecido. E a gente foi conversar com o próprio Morinaga – confira!

Como começou essa brincadeira com a luz?
A marca em si já tem 15 anos, mas essa história começou faz 4, com um desfile em Paris. O nome da marca, Anrealage, já mostra uma pista: “a era do não-real”. Sempre procuramos falar sobre o material e o não-material, elementos assim que conseguimos identificar no cotidiano. Desde o início, eu tinha vontade de mostrar o que é luz e o que é sombra, mas sem a tecnologia era impossível demonstrar do jeito que eu queria. No desfile de Paris que começamos a mexer com elementos tecnológicos, e aí consegui executar as ideias.

Mas por que a luz?
O conceito da Anrealage é mostrar o cotidiano de uma forma diferente. Na procura de demonstrar como essa linha que divide a realidade e a não-realidade é tênue, a mudamos de lugar. E também existia um lado japonês que queríamos mostrar, a referência japonesa do belo. Os japoneses pegam uma sala ou um quarto e não enchem de luz, não o deixam todo iluminado: eles deixam apenas a luz necessária pra enxergar e, ao olhar pra sombra, você sabe que ela existe porque também existe a luz. Isso é belo. O conceito do japonês apreciar a sombra e não somente a luz é algo que está na nossa raiz.

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Tem elementos da exposição nos quais a gente consegue reproduzir o efeito de luz, como por exemplo com o flash da câmera do celular. Mas em outros momentos a gente precisa de luzes especiais. Esse tipo de roupa específica, que requer as luzes especiais, existe só pro desfile? 
Todas as luzes que estamos utilizando nessa exposição não são luzes especiais. Se você sair no sol, a roupa pode se transformar. As luzes são ondas, e as que usamos aqui estão todas no espectro do raio solar, então os efeitos são reproduzíveis no cotidiano. Elas são todas vendidas na loja, e a etiqueta explica como fazer o efeito delas. Na montagem da exposição, a gente faz de um jeito que o efeito fique mais rápido e mais claro.

Tem alguma coisa que a tecnologia ainda não permite que você faça, mas que você tem vontade de fazer?
A transformação do cotidiano. Por exemplo, uma flor: ela nasce e murcha. Ainda não consigo representar essa transformação. O nosso pelo que cresce é um outro exemplo.

Tipo fazer uma roupa com um pelo que cresce?
Gostaria de uma roupa que, no inverno, o pelo cresça, e no verão ele se recolha! [Risos]

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Como está o cenário de moda do Japão hoje, e como a Anrealage se insere nesse cenário?
A tendência do Japão é o fast-fashion, produção em grande escala que você compra barata e que tem vida curta. Porém, claro que temos marcas tipo Comme des Garçons, Yohji Yamamoto e Issey Miyake no centro de tudo, que criaram uma moda japonesa. Na geração posterior não temos um nome muito forte que consigo representar, que seja a próxima Comme des Garçons. Claro que no streetwear também existem empresas que estão se destacando. Mas a Anrealage está fazendo algo completamente diferente, um caso à parte nesse cenário. Como somos muito mais especiais que o fast-fashion, somos uma das únicas marcas japonesas de moda que criam exposições. E por conta dessas inovações que trazemos, tem muito fã fascinado, que ama o que fazemos, e tem muita gente que acaba conhecendo as nossas roupas nas exposições.

O que você está achando do Brasil?
É a minha primeira vez aqui, e como o Brasil é o lugar mais distante do Japão, o outro lado do mundo, imaginava que as coisas seriam muito diferentes. Aqui vocês têm diversas raças, aconteceram diversos movimentos de migração; achei que a percepção do belo seria diferente. Porém, observando as reações, acho que existe muita semelhança com o olhar japonês! Então acredito que as pessoas vão gostar muito da exposição. E acho que existe uma relação entre os nossos países tão distintos!

“A Light Unlight”
Até 6/01/19, terça-feira a sábado das 10h às 22h; domingos e feriados das 10h às 18h
Japan House: av. Paulista, 52, Bela Vista, SP
Entrada gratuita

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