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Uma das partes mais sensuais do corpo humano acaba de virar tema de uma antologia iconográfica lançada nos Estados Unidos. O livro “Leg” (Perna) comemora dez anos da grife Donna Karan como fabricante de meias e reúne imagens registradas por 124 artistas, a maioria fotógrafos, nos últimos cem anos: do erotismo de E. J. Bellocq no começo do século a novíssimos nomes da fotografia fashion como Carter Smith, das pernas de borracha da escultora Louise Bourgeois à pintura de Egon Schiele.

Rico em imagens, o livro é carente de simbologias e significados que perseguem as pernas e preenchem as fantasias. As informações se restringem à visão da Donna Karan, que assina o prefácio: “A moda sempre foi obcecada por pernas. Como estilista, a perna é meu desafio, o ponto de partida de cada coleção. Quando decido o que fazer com ela, sei onde vou com o resto”. Isto é, a partir daí Karan define em que ritmo a bainha de suas saias vai dançar, quais os volumes e proporções, qual a cara que sua mulher vai ter na próxima estação.

MEIA PRETA – Quando abriu sua empresa, Karan exigiu que todo provador tivesse um par de meias pretas: “Ao colocá-las, a mulher se sente bem com suas pernas e pode experimentar qualquer roupa”, conta. Não é por acaso que ela tem insistido em oferecer à mulher a meia perfeita para qualquer ocasião. Dez anos atrás, desde que lançou sua primeira meia em parceria com a Hanes (marca que teve a cantora Tina Turner como garota-propaganda), Karan vem se aperfeiçoando: o modelo Nude, por exemplo, cria de fato a ilusão da perna nua enquanto Evolution, o mais novo, molda a perna de tal maneira que ela de fato parece a mais linda do mundo. “Dê à mulher a ilusão da perfeição. Você terá lhe dado confiança em sua sensualidade”, garante esta americana que há 30 anos trabalha como estilista.

Com “Leg”, Karan pretende mostrar as inúmeras expressões que a perna pode assumir: “Maternal – pense numa criança agarrando a perna da mãe. Sexual – a perna da mulher que envolve com sensualidade o homem. De liberdade – pernas nadando no oceano. De força e disciplina – a perna do atleta: cada tendão, cada músculo fala de uma intensa devoção.” Assim, o livro traz a perna sensual por Raymond Meier, a perna-fetiche por Helmut Newton, a perna que sustenta (de Jackie Kersee por Herb Ritts, 1987), a perna-gelo de David LaChapelle para a Chanel, a perna que assusta de Weegee (1943), a perna distorcida de André Kertész (1933), as pernas hábeis e sedutoras das garotas do Follies Bergères, em Paris, ou das Rockettes do Radio City Music Hall, em Nova York.

Alguns mitos de Hollywood ganham o devido crédito como Cyd Charisse, Marlene Dietrich, Marylin Monroe, Rachel Welch, Sophia Loren e Liza Minelli. Mas cabem também drag queens, como Divine e Ru Paul, bailarinas como Josephine Baker e Martha Graham, e até flagrantes anônimos como o bebê do fotógrafo Hiro ou a menininha que brinca de Marilyn Monroe. Das top models, a alemã Nadja Auermann e a americana Shalom Harlow são as mais contempladas com suas pernas quilométricas que não acabam nunca. Cindy Crawford aparece na antológica foto em que “barbeia” a cantora K.D. Lang e, estranhamente, as pernas de Naomi Campbell, consideradas as mais perfeitas do circuito Elizabeth Arden, não constam em nenhum registro. Em São Paulo, o livro pode ser encomendado na Toc na Cuca, tel. 852-2030.

Lilian Pacce para O Estado de S. Paulo

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