O underwear de malha de seda orgânica de Nayara Costa

06.05.2017

Esses foram os looks com os quais Nayara desfilou e venceu o “Paraná Criando Moda”, em 2014. Curtiu a marca e proposta da Nayara?
Vestido com modelagem interessante em seda, com transparência (R$ 708)
Nayara entra na temática do empoderamento do corpo feminino, e isso transpassa a estética – esse conjunto tem recortes estratégicos que simbolizam as cicatrizes que uma mulher pode ter durante a vida – do silicone e da cesárea! O top custa R$ 228 e a calcinha R$ 168
Body com detalhes nas alcinhas (R$ 638)
Esse é o conjunto “Ciclos”, adaptado pros dias menstruais – confortável, né? O sutiã custa R$ 158 e a calcinha R$ 148
O fechamento do sutiã (R$ 208) é na parte da frente, algo simples mas que muda muito na hora da própria mulher colocá-lo ou tirá-lo. A hot pant custa R$ 148
Nayara aposta no material nobre em toda coleção, que ela chama de “movimento” – que tal o body com recortes? (R$ 608)
Vem conhecer a marca de underwear de Nayara Costa, que trabalha com malha de seda orgânica! Clica na foto pra ver a galeria

Pode-se dizer que Nayara Costa, recém-formada em moda pela Universidade Estadual de Londrina, é uma especialista em seda – ela cresceu entre as linhas e agulhas do ateliê da mãe, o que lhe deu acesso ao conhecimento antes mesmo de ingressar na faculdade, e ela adorava trabalhar com o material. Com o tempo, vieram outras informações pro seu trabalho: a discussão sobre o corpo feminino, superforte nos dias de hoje, e toda problematização acerca da estética, conforto e roupas íntimas. Foi disso tudo que saiu seu trabalho de conclusão de curso – uma coleção, que Nayara prefere denominar “movimento”, exclusivamente de underwear com malha de seda orgânica. A marca saiu daí, em sociedade com seu namorado Allan Rolim. Batemos um papo com ela sobre o uso da seda, inspirações e sustentabilidade. Confere:

Sua marca partiu do TCC da faculdade. Como você faz sua pesquisa? 
Todos os projetos e todas as roupas que fiz na vida sempre começam pelo tecido, depois vem a cor e só então a construção formal. É legal lembrar que os tecidos estão ligados a todo tipo de impacto ambiental, então deve-se avaliar bem o têxtil que vai ser usado na coleção. E minha marca é parte do TCC, mas já sabia que queria ter uma marca e a transformei em TCC, não o contrário. A pesquisa começou com uma reflexão sobre a moda atual e os movimentos sociais, como o feminismo: a consciência coletiva de empoderamento feminino impulsiona novas abordagens sobre o vestuário!

Como você trabalha a proposta de coleção dentro da sua marca?
Criei um movimento a partir do TCC, o “00”, que seria minha “1ª coleção”. Na verdade não trabalho com coleções; vou percebendo, criando as peças, e soltando-as em “movimentos”, pois não sigo o calendário de moda. E esse primeiro movimento se chama “Bem-estar”, que é a tradução literal de “Le bien-être” – o nome que a inventora Herminie Cadolle deu ao primeiro sutiã criado por ela, quando o separou do espartilho. Quis reforçar isso: assim como o primeiro sutiã, as minhas primeiras criações reforçam o bem-estar porque partem de uma indumentária historicamente usada de modo vasto pra interferir na silhueta feminina mas são bem naturais, não aumentam nem apertam o volume do corpo.

Por que a malha de seda nas peças? 
Tenho uma história com a seda. É um material que minha mãe sempre gostou de trabalhar e acabei pegando isso dela! Mas acima de tudo, o Paraná tem um dos melhores fios de seda do mundo. Adquiri consciência sobre a região do Vale da Seda e qualidade do fio enquanto estava recebendo os prêmios de um concurso que participei, o “Paraná Criando Moda”, em 2014. Na casa da minha avó vejo a Bratac [uma fiadora de seda] da varanda. Os casulos excedentes, descartados, são levados pro Casulo Feliz, em Maringá, e são utilizados de diversas maneiras: viram desde tapete até decoração pra casa. Isso tudo me fez pensar na malha de seda como matéria principal.

Quais as maneiras que você encontra pra conciliar sua marca à uma produção mais sustentável, eco-friendly?
Busco valorizar a origem do material. É natural que a seda do Paraná fosse a principal matéria prima do meu trabalho – a malha de seda orgânica dos casulo rejeitados. Esse fio é altamente torcido, tem uma elasticidade interessante, impacto ambiental baixíssimo e tingimento vegetal e manual. Tenho tingimento de eucalipto, erva-mate, casca de cebola… Isso tudo entra na pauta de uma produção mais sustentável! Além disso, pra produzir a seda, amoreiras precisam ser plantadas pras larvas se alimentarem. Agrotóxico não é utilizado nas amoreira e, pra alimentar o bicho-da-seda, grandes plantações que ajudam o meio ambiente são produzidas. Inclusive, o Vale da Seda é a região que mais produz casulos em todo ocidente e eles calculam a pegada de carbono das peças, ou seja, quantas árvores de amoreira precisam ser plantadas pra que eu consiga alimentar uma quantidade X de casulos e consiga fazer uma peça Y. Resumindo: a seda é a única fibra que acaba gerando crédito de carbono em sua produção!

Que experiências você teve trabalhando com esse material?
Como gosto de trabalhar misturas de textura, tem uma variedade de construção de seda em várias gramaturas e construções na minha coleção. A poliamida também é outro material que utilizo – essa fibra foi criada pra copiar as propriedades da seda. A performance desses filamentos são excelentes pra respirabilidade da pele, mais ainda que o algodão – isso porque a gente escuta muito que a roupa de baixo precisa ser de algodão pra saúde íntima ser preservada, né? Na seda e na poliamida essa performance é ainda melhor. Penso muito no conforto e saúde dessas regiões delicadas do corpo.

Que temáticas você aborda dentro do universo das lingeries?
Acho pertinente discutir o lugar da mulher dentro de um mundo falocêntrico na sociedade contemporânea. Quero retratar isso de maneira elegante, já que todo mundo está falando de engajamento. De modo prático, traduzi pras peças interferências cirúrgicas que a mulher sofre. Por exemplo: o conjunto vermelho tem recortes que mostram a pele da mulher em locais específicos, onde podem haver cicatrizes, como a parte de baixo dos seios pra colocação de silicone ou o local de corte da cesária. Essas são particularidades do gênero feminino. Fiz também um conjunto chamado “Ciclo”, especial pros dias de menstruação da mulher, pra que ela se sinta segura com a sua roupa íntima nesse período. E todos os mecanismos de fechamento dos meus sutiãs são frontais – ou é isso ou é top mesmo. Quero quebrar com o modelo histórico de ser atrás, uma herança do espartilho, afim de dar mais liberdade e controle pra mulher no manuseio das suas próprias roupas íntimas.

Já está planejando o próximo movimento? Quais são os planos pro futuro?
O próximo movimento vai ser nesse mês de maio – uma “Black Edition” que irei publicar no meu Instagram@nayaracostabrand. As pessoas normalmente me procuram pelo Insta, recebo muita direct! As pessoas de Londrina vem até meu ateliê pra ver como tudo é produzido. Mas entregamos pro Brasil inteiro! O Insta é minha maior plataforma atualmente. No 2º semestre vou lançar o e-commerce da marca; em 2018 terei um novo ateliê e montarei também o showroom! 

Nayara Costa: (43) 3064-0011 

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