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De caso com…. o casamento gay

18.10.2016

Existem empresas pra organizar casamento especializadas em uniões LGBT!

Ser gay no Brasil não é fácil. Comemorar um casamento, então, com festa, bolo, flores, cerimonialista e toda a parafernália festiva é um desafio quase hercúleo pros casais do mesmo sexo. Isso porque o grau de sensibilidade e conhecimento das empresas de eventos e seus fornecedores costuma ser próximo do zero. Se são duas lésbicas, quem leva o buquê? Uma vai de noiva e outra de noivo? E o noivo gay entra com o pai ou com o seu parceiro? Tem daminha? Padrinho? Rola chá de cozinha?

Se por um lado o assunto ainda é novo, cercado de mistérios e desinformação, por outro o preconceito rola solto. E a última coisa que um gay deseja é sofrer discriminação no dia mais feliz da sua vida! Mas corre o risco, sim, de topar com fornecedores homofóbicos na própria festa ou antes, durante os preparativos. A frustração pode acontecer logo de cara: o primeiro item escolhido costuma ser o espaço da festa, como bufês e restaurantes, e muitos deles se recusam a fazer uma cerimônia gay. Por trás de um sonoro “que pena, mas não temos data pra atendê-lo” existe a ideia cruel “vixe, vai ter um monte de bicha, não quero que o meu negócio fique rotulado”. Mas o chamado pink money (poder de compra da comunidade LGBT) é poderoso e, assim como os héteros, tem gays que nutrem o profundo desejo de celebrar a união com um ritual pra compartilhar o momento com os amigos e a família (quando dá). O casamento civil no cartório não basta.

Uma amiga jornalista e gay, Gisele Losada, entrou recentemente nesse mercado lançando a Casamento à La Carte, que se propõe a realizar o sonho de noivos e noivas em todas as etapas do enlace – da burocracia no cartório à festa personalizada e a celebração da cerimônia. Um serviço criativo, emocionante e profissional. “De gay pra gay! Sei como contar a história do casal, organizar essa cerimônia e sensibilizar os casais e os amigos”, diz Gisele.

Casamento fora do armário pede festa fora da caixinha. Mas isso não significa purpurina e arco-íris espalhados desvairadamente pelo salão adentro: “Esse público quer o tradicional, mas com a cara deles”, diz outra cerimonialista, Cris Coelho, dona da Festa Casamento Gay. Casadona, com marido e filhos, ela diz que tem “alma gay, com um monte de homossexual na família, irmão, tias…” Seu maior cuidado na produção dos eventos é com os fornecedores que vão ter contato com os noivos e os convidados – caso de manobristas, garçons, seguranças e pessoal da limpeza. “Uma vez presenciei dois garçons que achei que estavam com o riso solto demais, riso frouxo, sabe?” E já pensou que desagradável a mãe do noivo estar no banheiro e ouvir comentários preconceituosos sobre o filho?

A batalha pela aceitação da diversidade também pode acontecer num casamento hétero, como é o caso da cerimônia religiosa que Cris organizou recentemente. A noiva queria a irmã, que faz tratamento pra redesignação sexual, entrando na igreja de madrinha só que vestida de homem e acompanhada da parceira. Venceu a parada! Mas trocar essa ideia com a comunidade da igreja não foi nada simples…

Bell Kranz, do blog “Casar, Descasar, Recasar”, infohunter do site Lilian Pacce

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