De caso com… acessibilidade de portadores de deficiência no casamento

21.09.2016

Paula Ferrari de noiva para um ensaio de Kica de Castro 
A fotógrafa Kica de Castro mostra que beleza, glamour e deficiência física não são excludentes; na foto, a modelo Paula Ferrari, que tem mielite 

A Paralimpíada acabou, mas cegos, cadeirantes e demais pessoas com deficiência existem fora da arena; estão por aí, inclusive na lista de convidados de um casamento… A menos que uma noiva desalmada barre a sua presença, como a que excluiu a própria sobrinha de 15 anos por causa das muletas da garota.

A adolescente com deficiência física revelou sua história em um post emocionante na rede social Reddit. Zinogirl, como ela se identifica no site, conta que o convite do casamento da tia trouxe apenas o nome do pai, da mãe e dos seus dois irmãos. Ao ser questionada, a noiva justificou que o lugar do evento não era friendly e confortável pra ela.

“Se essa é a única razão, isso não é algo que eu devo decidir? Talvez pudesse me virar lá; talvez meu irmão e meu pai me ajudassem se eu precisasse. Ela me excluiu porque tenho uma deficiência”, escreveu a adolescente, arrasada.

Mais sobre casamento: Manual de dieta pra noiva? E presta?

O momento preparação do casório pede a análise dos convidados sob este aspecto: deficiências, dificuldades e necessidades especiais. Alguma prima grávida? Tio idoso? Amigo com deficiência visual, avó que não escuta mais nada? Vamos incluir essa turma! A gente casa com uma pessoa, mas comemora com muitas!

O básico dos básicos

Para quem tem problemas de mobilidade, banheiro adaptado e rampas de acesso são da maior importância. A lei obriga a acessibilidade, mas a gente sabe que na real ela não é respeitada 100%. Por isso, cadeirante tarimbado sai de casa preparado pra passar sufoco no uso do WC, em geral pequeno. Se a largura da porta é insuficiente pra passagem da cadeira de rodas, providencie uma cadeira com rodas pequenas, do tipo de escritório, por exemplo. Isso vai ser, desculpe o trocadilho, uma mão na roda! Sobre rampas de acesso, se o local não possui e já foi contratado, o jeito é contar com um muque amigo.

Textos em braile

Para quem tem convidados com deficiência visual, um serviço de audiodescrição de casamentos (sim, isso existe!) pode ser interessante. Muito chique também é ter os convites, menus, cartões de agradecimentos e todo o material com opção em braile.

Banco “numerado”

Reserve lugares mais próximos do altar ou onde a visibilidade é melhor pra turma mais idosa, de vista cansadinha, e pessoas com dificuldade de visão e mobilidade em geral. A cerimonialista pode ajudar na marcação dos lugares e encaminhamento dos respectivos convivas, lembrando que deve-se respeitar a vontade dos que preferirem se acomodar em outro local. E não se esqueça do lugar do acompanhante!

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Mesa reservada

Separe uma mesa cuja localização na festa vai facilitar a vida do convidado com deficiência ou dificuldades. Perto do banheiro, de corredores ou da pista, por exemplo, conforme a necessidade. Especialmente pros surdos: se puder evitar as mesas enormes, tipo pra 12, ótimo. As ideais, porque facilitam a audição e a visualização, são redondas e quadradas. Melhor ainda é sugerir ao conviva que escolha o lugar mais adequado a ele. E um problema comum e chato: a mesa de refeição não ter altura pro braço da cadeira de rodas passar e o conviva se acomodar. Nesse caso, uma bandeja resolve. Tudo se improvisa. O importante é não deixar de convidar o cadeirante por causa disso!

O manual aqui não dá conta de todas as necessidades dos convidados, mas ajuda na tão sonhada e necessária inclusão (sobre a qual a tia noiva unfriendly descrita acima não tem a menor noção).

Bell Kranz, do blog “Casar, Descasar, Recasar”, infohunter do site Lilian Pacce

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