Amissima é acusada de fazer roupas com trabalho escravo

18.12.2018

O site “The Intercept Brasil” soltou uma notícia bomba hoje, 18/12. Amissima, a empresa liderada pela diretora de estilo sul-coreana Suzana Cha, é acusada de usar os serviços de duas oficinas de costura que contam com trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão. A reportagem de Thais Lazzeri as visitou com auditores da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de SP, que investigam as irregularidades, no último dia 6/12. Na descrição dela, as oficinas ficam em imóveis degradados em bairros periféricos da capital paulista, são contratadas diretamente pela Amissima sem intermediários e também servem como casa pras famílias que trabalham lá. O turno de trabalho costuma ser das 8h às 22h, com intervalos rápidos pra refeição, e pagamento de acordo com produtividade e qualidade nas entregas. O salário dá mais ou menos R$ 900 por mês – o teto da categoria é R$ 1.450,02.

Look da Amissima, marca que tem lojas nos shoppings Cidade Jardim e JK Iguatemi e é acusada de usar trabalho escravo em sua produção

O Ministério do Trabalho autua a Amissima por 23 irregularidades depois da operação. A marca deve pagar R$ 553 mil em indenização aos trabalhadores e, com o fundo de garantia, os trabalhadores vão receber perto de R$ 600 mil. O CEO da Amissima, Jaco Yoo, afirmou pro “The Intercept” que errou ao não fiscalizar as condições de trabalho nas oficinas contratadas pela marca e lamentou pelos migrantes sem documentação: “Meus pais vieram da mesma situação (eram migrantes). Sei das dificuldades, jamais faria isso.” Você pode ler a reportagem completa nesse link.

ATUALIZAÇÃO 19/12, às 9h25:
Uma nota à imprensa nos foi enviada pela assessoria da Amissima na noite de 18/12. Ela segue abaixo, na íntegra.

Sobre a ação do Ministério do Trabalho e Emprego, relacionada a irregularidades apuradas em duas oficinas de costura que prestam serviços para a Amissima, a marca esclarece:

1. Em 6 de novembro, a empresa foi informada sobre a fiscalização em duas oficinas de costura que produzem peças para a marca Amissima. A Amissima esteve desde o início à disposição do Ministério do Trabalho e Emprego e repudia o não cumprimento de normas trabalhistas em qualquer fase da cadeia de produção.

2. Desde que foi notificada, a Amissima arcou imediatamente com as indenizações morais e trabalhistas das pessoas envolvidas. Ainda que os fornecedores da companhia assinem contrato em que se comprometem a cumprir a legislação trabalhista, a empresa reconhece ter falhado em não fiscalizar com o máximo rigor sua cadeia produtiva e lamenta profundamente o ocorrido.

3. A Amissima iniciou um processo de auditoria e rastreamento de toda a sua cadeia produtiva e está adotando medidas corretivas e preventivas junto às empresas terceirizadas contratadas.

4. Com uma história de superação e evolução, a Amissima manifesta seu repúdio a qualquer forma de trabalho que ofenda a dignidade humana.

Amissima
18 de dezembro de 2018

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