A maior passarela do mundo, o “red carpet“, teve todos os ingredientes necessários para se sustentar como o “talk of the world” ao longo desta semana: desde vestidos elegantes acima de qualquer suspeita, como o Valentino vintage da premiada Julia Roberts, até modelos polêmicos como o de Björk, assinado por seu amigo Marjan Djodjov Pejoski, passando por escolhas incompreensíveis como o Chanel de Jennifer Lopez. Predominaram o preto, o branco e o vermelho, além dos tons de cinza (cinza prata, cinza rato, cinza-lilás).

Os anos 20/30 se mostraram influência forte. Voltas e voltas de colares, de pérolas de preferência como o de Juliette Binoche, ou de brilhante como o de Ashley Judd (acompanhado ainda por uma tiara dupla). No cabelo, a mudança principal. Hollywood decretou o fim das chapinhas que alisam até cabelo pixaim e elegeu um efeito mais feminino e romântico obtido com muitas ondas e muitos cachos. A jovem Kate Hudson, filha de Goldie Hawn, optou por cachinhos caindo do cabelo preso atrás. Juliette Binoche apostou mesmo nas melindrosas e veio com cabelo curto e todo ondulado enquanto Julia Stiles ondulou suas longas madeixas. A premiada coadjuvante Marcia Gay Harden preferiu algo mais armado, mas igualmente retrô, descendo em ondas suaves.

O longo tomara-que-caia de Marcia Harden, criado pelo estilista americano Randolph Duke, segue a clássica receita de sucesso de Rita Hayworth, trocando apenas a cor: sai o preto, entra o vermelho. O vermelho em tom de cereja foi a opção de Sigourney Weaver em modelo de alta-costura da Dior feito especialmente para ela por John Galliano. As flores no ombro direito davam o diferencial. O vermelho vivo veio no Valentino alta-costura de Laura Linney e no modelo bordado com vidrilhos pretos pelos indianos Sandeep Khosla e Abu Jani para Judi Dench.

A elegância do preto fez a noite de Catherina Zeta-Jones com seu tomara-que-caia Versace, sorte não correspondida pela francesa Juliette Binoche em modelo assimétrico de Jean-Paul Gaultier, com bota até a coxatendência para o inverno 2002. Annette Bening parecia simples demais com o vestido regata Armani, apesar do bordado de paetê preto com perolinhas azuis. Penélope Cruz veio com ares de princesa espanhola no longo com cauda, em renda bordada, de Ralph Lauren. E a veterana Julie Andrews era pura classe com seu pretinho que misturava as texturas do chifom, do veludo e do cetim.

Embora seja marcante nesta temporada, a tendência gladiador não pegou na festa do Oscar. As estrelas de Hollywood preferiram apostar em outro movimento: o dos modelos vintage, isto é, peças já usadas e quase sempre de alta-costura, estilo muito difundido pela darling cult Chloe Sevigny. Renée Zellweger garimpou um modelo coluna amarelo de Jean Dessés dos anos 50 e Julia Roberts era puro triunfo com seu Valentino de segunda mão: um tomara-que-caia preto arrematado por tiras brancas que se abriam em cauda atrás. Ela estava tão linda que roubou a cena até mesmo de seu excessivo discurso.

O branco chamou a atenção. Ali, no meio do carpete vermelho, ele parecia quase minimalista usado pelas atrizes Frances McDormand e Angelina Jolie – esta num básico terninho Dolce & Gabbana com bota também branca. A cantora e atriz Björk, em compensação, soltou a franga, aliás, o cisne em modelo frente-única cuja alça era o pescoço do cisne e o corpo do vestido, sua rica plumagem – tudo branco sobre top pele. E ganhou o melhor comentário do apresentador Steve Martin: “Tão ano passado!” Alguns homens também elegeram o branco, como Ben Affleck e sua gravata branca, em modelo assinado por Giorgio Armani.

Armani continua a ser o preferido dos homens, mas a Gucci de Tom Ford começa a investir também nesse segmento e teve Tom Hanks, John Travolta e Sting vestindo smokings cedidos pela grife, além do modelo usado pelo cineasta brasileiro Paulo Machline – só que o dele foi comprado. Machline declarou que chegou a ser procurado por Armani, mas já era tarde demais. Armani, como sempre, vestiu as principais estrelas: o apresentador Steve Martin e os vencedores Ang Lee, Russel Crowe e Benicio del Toro, além de Ed Harris, Javier Barden e Joaquin Phoenix. Alguns não seguiram o dress code e, em vez de black tie, optaram por costumes mais informais como Tom Cruise e Bob Dylan.

O cinza em muitas variações veio ricamente bordado nos modelos de Vera Wang para Julia Stiles e Goldie Hawn, ou no de Stella McCartney/Chloé para Kate Hudson, com leve inspiração caubói. O Armani de Ashley Judd (top de cetim prata, saia de organza em camadas enviezadas) ficou personalizado com ar retrô graças às jóias. Já a superestrela Jennifer Lopez optou pela transparência do chifom chumbo no top de um só ombro contrastando com o brilho da saia de cetim volumosa – um modelo Chanel que não deu certo.

Lilian Pacce para O Estado de S.Paulo

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