A exposição da revolucionária Mary Quant!

04.04.2019

A exposição sobre Christian Dior no Victoria & Albert é um sucesso – tanto que acabou se prolongando com 7 semanas extras! Mas enquanto o mestre do romantismo pós-guerra segue em uma parte do museu,  entra em cena em outro espaço dele a vanguardista que difundiu a minissaia do Swinging London e que sonhou com uma moda mais democrática: Mary Quant! Antes da emblemática butique Biba e da atual gigante inglesa Topshop, existiu a Bazaar de Quant e do marido Alexander Plunkett-Greene, loja inaugurada em 1955 na King’s Road que tocava música barulhenta, ficava aberta até tarde e ousou pensar num guarda-roupa mais jovem, mais colorido, mais divertido – e fazia apenas um ano que o racionamento do pós-guerra tinha terminado na capital inglesa!

Veja também: vai ter atrizes encarnando a musa dos anos 60 Sharon Tate no cinema!

Ao contrário do que muita gente pensa, as curadoras Stephanie Wood e Jenny Lister defendem que Mary não é a “inventora da minissaia“. O título, disputado com o francês André Courrèges, é em si discutível porque a minissaia é mais um processo de encurtamento da saia que veio da vontade das ruas do que uma invenção pontual. E tudo aconteceu meio concomitante: tem um vestido da Mary Quant vendido em 1964 com a barra começando nuns belos 3 dedos acima do joelho; tem desfile da Courrèges com saia curta no mesmo ano. Não dá pra apontar um pioneirismo. A dupla da curadoria ainda diz que é muito difícil encontrar hoje um look que seja original de 1964 e que não tenha a barra alterada – a medida que a década ia chegando ao fim, as donas dos vestidos e das saias encurtavam mais e mais suas peças!

Conheça também o cabeleireiro Vidal Sassoon, que fez o look de Mary Quant

Mary Quant ainda fez muito mais do que popularizar a saia e o vestido curtos: ela bombou o jérsei, material que já havia sido utilizado por Chanel em versão mais pesada e que com a estilista virou algo jovial; a meia-calça coloridona e opaca (que era usada, claro, com os mínis); um look fashion mais andrógino com calças femininas que na época só eram populares em contexto muito informal; o suéter justinho preto, tipo segunda pele, por baixo do jumper; capas impermeáveis de PVC. E acima de tudo, mesmo com uma ajudinha do marido, ela foi uma empresária de sucesso que construiu um império com a sua criatividade e boas sacadas! Mary, pra quem não sabe, continua viva: tem 85 anos. A marca também segue andando, especializada em cosméticos e focada nos mercados do Reino Unido e Japão. Veja mais da exposição em cartaz no V&A na galeria – ela abre no dia 6/04 e segue até 16/02/2020!

Vai abrir a exposição homônima da Mary Quant em Londres!
A estilista (sentada na frente nessa foto, usando look vinho) popularizou a minissaia na Swinging London dos anos 60
Um grupo de modelos posou com looks da Mary Quant em novembro do ano passado, na frente do V&A, pra chamar a atenção – e também pra divulgar que a equipe de curadoria estava à procura de peças pra compor a exposição
Vestidos de jérsei de 1967
Uma resposta após o racionamento, a loja Bazaar de Mary Quant tinha looks coloridos e divertidos
São mais de 120 looks reunidos entre os dois andares da expô com fotos, desenhos e muito mais
Mary também foi pioneira em criar lingerie que não só era funcional mas tinha um charme, injetando linguagem de moda nas peças
Mais looks curtinhos de jérsei (1966-67): repara na gola Peter Pan do primeiro look da esq. pra dir., uma outra marca registrada das criações de Quant
A expô abrange o período entre 1955 e 1975, da abertura da primeira loja ao ápice do império que Quant construiu

Tags:                                      

Compartilhar