Tribo Masai e seu direito de propriedade intelectual na moda

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Polêmicas em torno da tribo Masai - eles desejam os direitos de propriedade intelectual pelo contínuo uso de referências da tribo pelas grifes de moda. Clica pra ver os casos! Próxima Ver mais fotos
Polêmicas em torno da tribo Masai - eles desejam os direitos de propriedade intelectual pelo contínuo uso de referências da tribo pelas grifes de moda. Clica pra ver os casos!

Os Masai (ou Maasai) são uma tribo seminômade africana de parte da Tanzânia e do Quênia, reconhecida por suas vestimentas – um tecido (normalmente de algodão) na cor vermelha, chamado shuka, é drapeado pelo corpo em estampas bem diferentes, mais comumente o xadrez. Como ornamentos, usam colares em contas e miçangas feitos pelas mães da tribo, onde cada cor simboliza um aspecto do guerreiro que o veste: o azul representa o céu e Deus; o verde, a vegetação; o branco, o leite e a pureza; o vermelho, o sangue das vacas (é parte do costume da tribo se alimentar dele) e a força dos guerreiros; o preto, a cor das pessoas da tribo e a tolerância; o laranja, mais comumente usado pelas mulheres, sugere hospitalidade; e o amarelo, os raios de Sol.

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Em tempos de discussão sobre apropriação cultural, pipocam dúvidas referentes à indústria da moda, que utiliza outras culturas, como as africanas, como referência constante. Quer exemplos específicos dos Masai? John Galliano na Dior, na primavera-verão 1997; a Missoni, na primavera-verão 2016; no desfile masculino da Louis Vuitton de primavera-verão 2012, com Marc Jacobs no comando; os sapatos da Brother Vellies, que custam entre US$ 195 a US$ 650. Recentemente, rolou a discussão também de apropriação cultural no outono-inverno 2017/18 da Marc Jacobs, com a temática do hip-hop. E teve o recente caso da menina branca com câncer usando turbante, que deu o que falar aqui no Brasil. 

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Pensando no quanto os Masai eram tomados como referência e inspiração pelas marcas e não obtinham nenhum tipo de retorno com isso, foi criado o “MIPI” (Maasai Intellectual Property Initiative), que justamente protege os direitos à propriedade intelectual deles. Segundo a iniciativa, mais de 80% da tribo vive abaixo da linha da pobreza, e cerca de 80 marcas já utilizaram elementos referentes à ela – isso significa US$ 10 milhões em receita anualmente (cerca de R$ 31 milhões de reais), mas nenhum retorno às tribos. Muitas marcas detém a propriedade intelectual de produtos – como é o caso do xadrez da Burberry e a sola vermelha da Louboutin. Isso significa que ninguém poderia lançar produtos sem uma licença deles. Nada mais que justo que a mesma coisa aconteça no caso dos Masai, não é mesmo?

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Mas pra citar casos que geram receita pra países com graves problemas de pobreza: lembra da coleção de bolsas de Vivienne Westwood, todas produzidas em Nairobi, capital do Quênia, com apoio da “Ethical Fashion Initiative? Marni, Stella Jean e Stella McCartney também participaram da parceria – e segundo que a própria EFI reforça, não é caridade – é trabalho. E com vibe sustentável também! Assunto polêmico pra reflexão, mesmo porque muita gente confunde o conceito de apropriação cultural com o de intercâmbio cultural, sendo que um inclui capitalização, empresas que não tem nada a ver com a cultura ganhando dinheiro com ela… e o outro vem de interação humana, troca e enriquecimento cultural de ambas as partes. Né? E aí, o que você acha? Comenta!

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