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Diet Prada: sequestro-relâmpago em Milão, cópias e jornalismo nas redes sociais

24.10.2019

A dupla do @diet_prada: Tony Liu e Lindsey Schuyler

A primeira coisa que Tony Liu me perguntou ao sermos apresentados foi: “Você conhece a Skazi?”. Ele teve que repetir 3 vezes até eu entender do que se tratava. É que a marca mineira já foi alvo dos posts do Diet Prada (@diet_prada), conta no Instagram que ele tem com a amiga Lindsey Schuyler.

Os dois estiveram em São Paulo para o “Iguatemi Talks”, evento que promoveu conteúdo durante três dias no shopping JK Iguatemi. Hoje, o @diet_prada tem 1,6 milhão de seguidores que eles chamam de “dieters”. Mas os “dieters” são mais do que seguidores: são informantes também. Ou, como se diz no jornalismo, fonte.

Tony Liu e Lindsey Schuyler no “Iguatemi Talks”

Graças aos fiéis (e alguns maldosos) “dieters”, o Diet Prada conheceu marcas brasileiras como a Skazi, que bloqueou o perfil depois de ver seus modelos associados à cópia de marcas internacionais. Mas tem muito alvo grande também como Dolce & Gabbana, Off-White, JW Anderson, Victoria’s Secret e até a abertura da fábrica da Louis Vuitton no Texas, com a presença do presidente norte-americano Donald Trump (veja abaixo).

Esse é o principal assunto do Diet: revelar cópias ou inspirações. Mas também denúncias de racismo e assédio sexual no meio da moda. Nos primeiros quatro anos as denúncias foram anônimas, até que ano passado eles “saíram do armário” e assumiram a autoria da conta. No começo, o Diet era um passatempo já que eles tinham outro trabalho. Hoje se dedicam tempo integral, monetizando com ações com várias marcas de moda, fazendo cobertura de eventos, exposições e “take overs” – o primeiro foi pra Gucci. Aliás, esta é uma história engraçada. Chegando a Milão a convite da Gucci, eles foram “raptados” no aeroporto pela Prada, que quis conhece-los. Afinal o nome é uma homenagem à marca de Miuccia: Prada porque é autêntico e original e Diet porque é a imitação do original.

No talk, conduzido pelo jornalista João Batista Jr., eles disseram que, se for relevante, não poupam nem mesmo os parceiros comerciais, seja com crítica ou ironia. Hoje são convidados para os desfiles internacionais mas não têm obrigação de postar nada. Caso da Dior, que eles têm frequentado mas não divulgado. “E continuamos a ser convidados”. Como influencers, a dupla americana mostra que é possível ter boas práticas do jornalismo nas redes sociais.

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