A pressão pra ser bonita na Galeria Melissa de Londres

06.03.2018

E esse é da série “Joyce”, que começou quando ela ainda estava na faculdade e traz a personagem ficcional Joyce encarnada por ela em fotos como essa. Já dá pra ver um prelúdio de “The Salon” aqui, né?
Aqui, um trabalho anterior de Juno, “The Honeymoon Suite” de 2015
Mascaradas! Meio sinistro, né? A instalação fica em cartaz na Galeria Melissa de Londres até abril
Uma das figuras na instalação “The Salon”, essa deitada, é um autorretrato 3D de Juno Calypso! Vem ver mais do trabalho dela

Juno Calypso é uma das artistas britânicas da nova geração que vem se destacando. E ela, que tem um trabalho que lembra Cindy Sherman, é a autora da nova instalação em cartaz na Galeria Melissa de Londres, a “The Salon”. O nome vem de salão de beleza, e a obra traz figuras com máscaras faciais luminosas aludindo a processos tecnológicos de embelezamento e que servem como metáfora pra tocar em temas como amor próprio, autoconhecimento e identidade. “A ideia era que não ficasse claro pro público se essas figuras são reais ou não. Uma das imagens na sala, por exemplo, é uma réplica de mim mesma. Em minhas fotografias, sempre trabalhei sozinha e usei-me como assunto. Esta é a primeira vez que tenho um autorretrato explorado de forma 3D e a intenção é que o público realmente se sinta entrando em uma das minhas fotos”, explica Juno.

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A exposição, que assim como outras obras da criadora explora a pressão no padrão de beleza feminino, fica em cartaz por lá até 15/04. E a gente, que acha a Juno superinteressante, aproveitou pra entrevistá-la! Confira abaixo!

Por que você foi atraída pelo tema do ideal de beleza feminino e suas pressões desde o começo do seu trabalho artístico?
Isso é algo que conheço bem da experiência como contribuinte do ideal feminino. Então, nunca foi um caso de escolher um tema mas, em vez disso, ele surgiu em resposta a algo que sempre esteve presente na minha vida.

O mundo da moda está ouvindo essas críticas que você e as outras pessoas estão fazendo sobre padrões de beleza impossíveis?
Não tenho certeza de que o mundo da moda é o único culpado. Também não espero que meu trabalho seja um ataque aos padrões de beleza, mas sim uma forma de explorar a cultura e a psicologia que circundam isso.

Existe um toque de ficção científica em “The Salon”. Você gosta de sci-fi?
Amo o design e o figurino dos filmes de ficção científica, especialmente os dos anos 70, antes de começarem a usar o CGI (Computer-Generated Imagery). Tudo era feito à mão, então você conseguia ver as falhas na ilusão do que era o futuro, mas ainda assim era tudo incrível.  

Finalmente temos uma discussão pública no mundo do entrenimento sobre igualdade de gênero e, especificamente, sobre abuso e violência sexual. Você acha que ainda vai tocar nesses temas no seu trabalho?
Provavelmente. Acho legal ter uma fuga da falta de noção do homem.

Você acha que essas expectativas em cima da beleza da mulher vão sumir algum dia?
Acredito que elas vão desmoronando conforme falamos sobre elas, mas não sei dizer quando e até que ponto as coisas vão progredir nesse sentido.

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