O futuro é agora: a 4ª edição do WeAr

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O festival WeAr Brasil, que une quem constrói o futuro da moda com o mundo da tecnologia, chega em sua 4ª edição entre 12 e 13/11. Ele promove uma série de masterclasses na Cartel 011 no primeiro dia, com assuntos interessantes como blockchain (ferramenta que traz mais transparência pra cadeia de produção) e novos materiais da biotecnologia alternativos à matéria-prima que tem se mostrado cada vez mais prejudicial pro meio ambiente. Mas também traz novidades: apresentações de cases bem interessantes de startups, uma loja pop-up e um tour por 3 endereços pra fazer uma imersão e aprender mais! Interessou? A melhor notícia é que os nossos leitores ganham 20% de desconto na inscrição usando o código WeAr2018LilianPacce – é só usá-lo na hora da compra pelo site Eventbrite (clique aqui)

Pra saber mais sobre a programação do evento, é só clicar no site oficial. Mas a gente também aproveitou pra bater um papo sobre tecnologia e moda com a Alexandra Farah, que é jornalista, idealizadora e curadora do WeAr. Você se interessa sobre o futuro? Que bom, porque o futuro é agora – confira:

O que existe de mais novo em tecnologia vestível hoje que você vai trazer pro WeAr?
Ao contrário dos outros anos, que sempre trouxe pessoas de fora do Brasil e que tinha foco de wearable no sentido de eletrônicos na roupa e de gadgets, dessa vez a gente percebeu o crescimento de uma cena brasileira de fashion tech. Essa edição do WeAr não é totalmente sobre wearables; não vamos deixar de falar dessa funcionalidade pro usuário final, mas estamos olhando mais pra inovação na produção e no serviço. A tecnologia, que está infiltrada em todos os nossos momentos e também na cadeia de produção da moda, não se restringe só à funcionalidade. E ressalto, de mais novo, a loja pop-up Moda do Futuro da qual participam marcas brasileiras que estão usando tecnologia em todas essas esferas e que fica aberta de 13 até 25/11 na Cartel 011. As marcas participantes também vão estar à venda online na Amazon Moda, que acabou de chegar no Brasil e é uma potência de democratização da compra. 

Fala alguns exemplos do que vai estar na pop-up.
Tem o Caire Moreira, que vai lançar sua marca Genyz dentro do festival. A Genyz abandona a fita métrica e usa um escaner acoplado ao celular ou ao iPad pra tirar as medidas do cliente, além de entregar a roupa já na medida certa em até quatro dias. Também tem a bolsa da Flying to the Sun que é muito brasileira, ela capta luz solar e carrega o celular. A forma de captação não é uma placa de silício pesada e sim uma placa biodegradável, portanto não prejudica o planeta. Além disso economiza energia elétrica, pois usa energia limpa, solar, pra carregar.

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Outra novidade do WeAr é um tour, né?
Quando comecei a fazer o festival tinha quase nenhum seminário, eram pouquíssimos. Hoje em dia virou uma febre, e que bom, as pessoas estão gostando de aprender, ouvir e se inspirar. Mas agora a gente incluiu atividades importantes e diversificou esse formato nessa 4ª edição. Vamos ter o pitch dos criadores, no qual eles vão contar que problema eles estão resolvendo com as criações deles, e as dificuldades e os desafios no processo, no dia 12. E a atividade do dia 13, que eu amo, é o Fashion Tech Tour. Ele tira a gente da sala de palestra, levando todo mundo pra lugares que já estão construindo o futuro da moda no seu dia-a-dia. Vamos começar por onde tudo começa, entrando na Rhodia pra ver como é feito um polímero, os princípios da poliamida, o porquê de um tecido ser biodegradável e outro não. Na segunda parada, conhecemos a logística de distribuição de uma grande rede de varejo, a Riachuelo, que inaugurou recentemente esse novo centro totalmente informatizado e omnichannel: se o pedido vem da loja online, da Oscar Freire ou do Center Norte, bate lá. Isso ajuda muito a fomentar e facilitar nosso acesso às roupas, e representa uma modernização dos processos. Por último, vamos pra Japan House pra ver as criações da marca japonesa Anrealage, um tour guiado pela exposição com roupas que refletem a luz, uma coisa muito doida pra abrir a cabeça, com esses elementos que se aproximam mais da alta criação.

A sustentabilidade conversa de que forma com a tecnologia abordada no festival?
O sustentável é um assunto importante, e só através da tecnologia que vamos conseguir escalar a sustentabilidade. A gente quer menos gadgets e mais soluções pro nosso bem-estar e pro bem-estar do planeta, mas não vamos desindustrializar o planeta, usando só roupa velha de brechó, só roupa feita em costureira, com produtores locais… Somos movidos pela beleza e pelo novo. Isso tudo que eu falei, do brechó, da marca pequena e local, do artesanato da Amazônia, convive junto com o novo mundo que está chegando. 

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Por que as empresas de moda ainda investem pouco em gadgets vestíveis?
Espero que com a nossa pop-up esse movimento cresça, porque realmente no Brasil não tem muita coisa. Tem na China, nos EUA, Canadá, Israel; são pequenas marcas que produzem produtos customizados em pequena escala. Se você gosta de fazer trekking no Himalaia, existe um wearable pra você. Se você gosta de nadar, ou de fazer kite surfe, também tem. Pra qualquer coisa que você gosta de fazer existe um wearable fora do Brasil! Aqui a gente está começando. 

Qual seria sua sugestão para alguém que quer entrar na onda da tecnologia vestível, qual seria o primeiro wearable que a pessoa deveria comprar?
Bom, o mais vendido do mundo é o Apple Watch. Se você é uma pessoa Apple… Ele não é lavável, então  é quase um gadget vestível. Mas na pop up, por exemplo, tem a calcinha que é um absorvente reutilizável da Pantys: isso é econômico e sustentável. Recomendo também a bolsa que já falei, que carrega o celular, sou apaixonada por esse produto; tem também a coleção do Dudu Bertholini pra UV Line que traz roupas com proteção solar. E a camisa branca que não suja da Horvath&Co! Aqui no Brasil a gente lava muita roupa; essa peça é antiodor, repele sujeira e mantém essas características por 30 lavagens, mas não é que as propriedades acabam de uma hora pra outras, elas vão diminuindo! É importante dizer que wearable é um espectro muito grande, não é só fio que liga e luz que acende, na nossa concepção ele inclui qualquer vestível que tenha uma funcionalidade a mais do que nos proteger. É toda roupa que traz uma inovação em si. 

E tem mais alguma coisa que não vai ter na pop up, mas que você recomendaria?
Tem, claro. O universo dos tênis, por exemplo, é uma gigantesca revolução, tecnologia pesada. Existe um da Nike que parece que acelera sua corrida de verdade, deixa você realmente mais ágil. Tem outro da Adidas que é o 4D, feito com uma nova empresa de impressão 3D que não usa uma resina dura, rígida, o resultado é meio emborrachado; e chama 4D porque além do 3D, o tênis vai se adaptando ao corpo com o uso. Não é à toa que o sneaker saiu das quadras, dos guetos e das pistas de corrida e invadiu as passarelas, como a Louis Vuitton e a Gucci. Quando a gente fala em conforto falamos em ciência, e quando a gente fala em estética estamos falando da materialização da funcionalidade. Criar uma roupa dura que não é confortável é fácil; fazer uma roupa extremamente confortável, que seja esteticamente bem resolvida, é difícil. O streetwear, e mais especificamente os sneakers, são ciência pura, são anos investigando e testando a pisada, o comportamento. Tanto a Nike quanto a Adidas, que puxam esse mercado pra cima e pra frente, têm laboratórios gigantescos. 

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É interessante o fato da tour acabar numa exposição da Japan House.
Olha, hoje a gente vive muito a base de dados, inteligência artificial; quando você pesquisa “tênis branco” no Google, de repente só começa a ver tênis branco em tudo, qualquer coisa que você abre vem com um anúncio. Isso é legal porque às vezes você precisa mesmo do tênis branco, mas banaliza muito a moda. Com esse monte de WGSN, Google Analytics, essas ferramentas de big data, a moda está ficando muito igual e banal. Então tem a ver com isso. Os criadores têm que dar pra gente o que não sabemos que queremos, esse é o papel de um estilista: me fazer querer o que ainda não sei que quero.

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