Makoto Azuma, o mestre das flores

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A cena que causou impacto entre os fashionistas: os blocos de gelo do desfile de Dries van Noten

Ele já colocou blocos de gelo no meio da passarela de um desfile do Dries van Noten e também já mandou um bonsai de 50 anos pro espaço – literalmente! O artista japonês Makoto Azuma usa plantas nas suas obras e esteve em SP – ele prepara uma obra pra inauguração da Japan House, novo espaço dedicado ao intercâmbio cultural Brasil-Japão que vai ficar na av. Paulista e deve ser inaugurado no primeiro semestre de 2017! A gente aproveitou a estadia de Azuma-san pra bater um papo sobre o seu trabalho e sobre o que ele está pensando em fazer pra Japan House – confira:

Como você começou a trabalhar com flores?
Na verdade sou floricultor há 19 anos. E comecei a fazer as obras de arte há 12, porque quando trabalhava como floricultor eu tinha a flor e o cliente, mas queria uma relação mais íntima com a flor, só eu e ela.

Você trabalhou com marcas como Dries van Noten, Hermès. Por que você acha que a moda é fascinada pelo seu trabalho?
A flor é um tema recorrente na moda, inclusive em forma de arranjos, pra enfeitar. Mas até então, a flor era estereotipada: “É bonita, é fofa, é agradável”, só isso. Dei uma roupagem nova, uma outra visão. Mostro a flor não só bela, mas também quase no fim da sua vida, ou em botão; ou mostro a raiz. São coisas que normalmente as pessoas não mostram. Apresento a flor como um todo, de uma forma que as pessoas não estavam acostumadas. As minhas obras são a vida da flor como um todo, o ciclo inteiro, com um filtro que sou eu.

No desfile de Fernando Cozendey, ele transforma um arame farpado em flores! Confira!

Você recontextualiza as flores em suas obras. Por que isso gera imagens tão poderosas?
Colocar essas flores em lugares nos quais a princípio elas não existiriam cria um contraste. Gera uma imagem que ninguém imaginou. Conforme faço isso, consigo valorizar a flor, fazer com que as pessoas tenham outra percepção dela. Consigo mostrar o ciclo dela, o que ela é capaz de simbolizar. E faço com que as pessoas a olhem com o coração, com a alma.

Você viu plantas e flores no Brasil pelas quais você ficou interessado, que você não tinha visto antes?
Aqui no Brasil tem muita natureza, e sinto a vida dessa natureza de maneira muito forte. Além de belas, as flores daqui têm muita energia acumulada. Já viajei pra vários lugares pelo mundo mas nunca vi flores com tanta força quanto aqui. Gosto disso. Fiz um trabalho na Amazônia, e elas demonstram a sua força no cheiro, no tanto que elas atraem os insetos… Ali vejo uma flor natural, real. No meu laboratório no Japão nós vemos muitas flores, mas elas parecem mais chics e delicadas.

Isso quer dizer que no Japão você trabalha basicamente com flores cultivadas?
Não, também vou pra montanha pegar flor e coisas do tipo, mas com as quatro estações bem marcadas a vegetação fica mais frágil por lá. Por isso que digo que aqui elas têm mais energia. E transformar essa energia em arte é muito impressionante pra mim. Consigo ver vida nas flores novamente.

Você tem uma espécie de flor preferida?
Não tem uma específica, mas no momento gosto do bulbo da flor. Estou usando-o pra fazer experimentos e transformar isso em uma obra.

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Se você não pudesse mais usar plantas no seu trabalho, com qual material você trabalharia?
Não… Não existiria um outro material! Sempre faço obras que trazem a flor como essência, na base. Gosto de mostrá-la até o ponto de se decompor, morrer. É com a flor que consigo ver um ciclo de vida inteiro, é um símbolo que resume a vida humana. Claro que vou registrar a obra com foto, mas aquilo é momentâneo, a flor morre. Isso que me atrai. Não consigo pensar em outra coisa que eu pudesse usar e que teria o mesmo significado.

O Flower Shop Kibou é um projeto que você tem de levar flores pra pessoas em zonas de conflito e em condições perigosas, que já passou pela Argélia e pelo Congo. Queria que você explicasse como teve essa ideia.
O mundo inteiro está estranho, se transformando em algo pior, cheio de problemas. Percebi que as pessoas estão cada vez mais infelizes, com muitos sentimentos negativos. Ao mesmo tempo, não conheço uma pessoa que não fique feliz ganhando flores. Isso ultrapassa a barreira da língua e das fronteiras. Iniciei esse projeto pra levar essas flores pros países menos desenvolvidos ou que estão em desenvolvimento, em locais precários. Esse ano todo foi um teste, mas a partir de janeiro do ano que vem ele começa de verdade.

Ah, então ainda vai começar pra valer!
Sim, ainda é um piloto. Em vez de entregar armas pras pessoas, gostaria de entregar flores e assim oferecer felicidade, despertar sorrisos.

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O que você pode adiantar sobre a instalação que está preparando pra Japan House?
Minha missão é fazer algo pra um pré-evento, ainda antes da inauguração. Por isso estou querendo apresentar algo bem impactante, de escala bem grande no tamanho em si.

Mas você pretende usar flores do Brasil ou do Japão?
O material é do Brasil sim! Mas é o bambu, que existe no Japão e aqui; vou usar a estética japonesa no bambu brasileiro. E não vai ser algo pra você apenas observar, é algo pra você sentir, interagir; por isso que pensei em algo maior.

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