Como redefinir uma vida melhor? #SB17SP

Verônica Bertoni/Divulgação
O Sustainable Brands aconteceu na Unibes Cultural em SP! Veja alguns destaques abaixo
O Sustainable Brands aconteceu na Unibes Cultural em SP! Veja alguns destaques abaixo

O evento Sustainable Brands aconteceu pela primeira vez em SP e ocupou a Unibes Cultural durante os dias 18 e 19/09 com uma profusão de arenas de debate, workshops e palestras. O tema, levando em consideração a sustentabilidade e a tecnologia, se voltou pra uma redefinição de uma “vida melhor”, tendo em vista o esgotamento dos recursos naturais, aquecimento global, desigualdade e outras problemáticas, sem perder de vista alternativas pra indústria se transformar nesse cenário. Como o evento é bastante voltado pra negócios, com a presença de muitos empresários, o recorte da função social das marcas foi fundamental – e o papel das pessoas que trabalham nas empresas enquanto agentes dessa transformação também! A gente separou alguns destaques de tudo que rolou aqui embaixo pra quem perdeu – confira:

. Graziella Comini, do Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor, afirmou que o investimento com viés social “é um vírus que precisamos espalhar pra que mais gente se contagie e tenha vontade de viabilizar essa grande transformação”. Segundo ela, “muitas empresas, quando começam, têm como principal preocupação garantir a sobrevivência econômica. À medida em que a organização se consolida, é possível definir novas prioridades e atuar de forma mais positiva”.

. Chris Miller, da Ben & Jerry’s, foi um dos convidados internacionais do evento. Ele contou que enquanto o marketing tradicional busca criar lealdade e aumentar o brand equity partindo de grandes questões que afetam uma determinada comunidade e criar campanhas que atendam às expectativas das pessoas, a marca de sorvete parte das questões em que acredita, seus valores e as mudanças que querem atingir, pra só então desenhar as campanhas – ou seja, o impulso inicial não vem do cliente ou do mercado em potencial mas da própria empresa. “Queremos motivar as pessoas a mudar o mundo. Você pode discordar das nossas opiniões, mas elas são muito claras em questões como aquecimento global, justiça racial ou igualdade de casamento. Fazemos isso desde o início e acreditamos que criar essa conexão com os consumidores e assim aumentar o amor que as pessoas têm pela nossa marca é um caminho muito poderoso pra evitar que elas comprem outros sorvetes, mesmo quando eles estão na promoção”. Ele ainda completou: “Incomodar alguns consumidores [por eles não concordarem com certas diretivas] é ótimo pros negócios, porque ao mesmo tempo isso aumenta o engajamento de outra parcela de consumidores. Por muito tempo, a instituição mais poderosa era a igreja. Depois, eram os governos. Hoje, são as corporações”.

. Kim Moraes, do marketing da Skol, explicou que conhecer as expectativas dos jovens a fundo é fundamental: “Cada vez mais esse público quer um mundo com menos muros, menos barreiras, menos rótulos, mais liberdade e mais espaço pra contestação”.

. Geoff Kendall da Future Fit e Chris Davis da The Body Shop levantaram uma reflexão sobre questões cruciais no ativismo corporativo: “Nos últimos 50 anos o mundo mudou dramaticamente. Como podemos fazer diferença nos próximos 40 anos? Como trabalhar, de verdade, em favor da sustentabilidade? A resposta: parar de pensar só nos resultados ano a ano, parar de apenas se comparar com a concorrência direta, parar de se ocupar de metas de curto prazo e… pensar no break-even em termos sociais e ambientais”. Pra quem não sabe: break-even se refere a um ponto onde o custo total e o rendimento total são iguais. Pensá-lo em termos sociais e ambientais é mais complexo que essa simples fórmula, claro.

. Gerfried Gaulhofer, da PanoSocial (sobre a qual a gente já falou aqui no site) tem um jeito muito contundente de falar sobre o investimento social, comparando com os alimentos orgânicos: “Na minha opinião, deveríamos parar de chamar os alimentos de orgânicos, pois esses são os normais. Os outros é que deveriam ser rotulados com os venenos usados em sua produção. O mesmo vale pros investimentos. Em vez de falar dos aspectos positivos de um investimento social, a sociedade deveria destacar os aspectos negativos dos chamados investimentos convencionais”.

. “Há mais microplásticos nos oceanos do que estrelas na galáxia, e 9 das 10 amostras de água da torneira em São Paulo deram positivo para plástico. Tudo isso mostra que o lixo, obviamente, é um erro de design”, afirma Daniela Lerario, da Triciclos. “Estamos sufocados de materiais, sufocados de consumo. Todo ano, 8 milhões de toneladas de resíduos são jogadas ao mar. E o recente estudo sobre a presença de microplásticos nas redes de abastecimento de água chamou a atenção pra isso”, completou Daniela.

Não deixe de conferir também nossas entrevistas com a estilista Flavia Aranha (sobre como uma marca de moda sustentável pode crescer) e a pesquisadora Rita Wu (sobre biomateriais que são produzidos por bactérias), além de um resumo da mesa sobre a moda como alavanca pra igualdade de gênero que teve a Lilian como mediadora!

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