Como a moda pode alavancar a justiça de gênero? #SB17SP

Jorge Wakabara
Da esq. pra dir.: Rachel Schettino da Rede Asta, Lilian, Ana Carolina Querino da ONU Mulheres e Soledad Requena de Spyer do Cami (Centro de Apoio Pastoral do Imigrante)
Da esq. pra dir.: Rachel Schettino da Rede Asta, Lilian, Ana Carolina Querino da ONU Mulheres e Soledad Requena de Spyer do Cami (Centro de Apoio Pastoral do Imigrante)

Aconteceu hoje na arena Good Fashion do Sustainable Brands, evento sobre sustentabilidade e tecnologia, um bate-papo sobre a justiça de gênero no trabalho passando pela indústria da moda – isso porque dos 40 milhões de empregados dela no mundo, 85% são mulheres. A Lilian mediou uma conversa que teve participação de Ana Carolina Querino da ONU Mulheres, de Rachel Schettino da Rede Asta (negócio social que transforma artesãs em empreendedoras, fazendo resíduos de empresas virar produtos) e de Soledad Requena de Spyer do Cami (Centro de Apoio Pastoral do Imigrante).

Uma apresentação inicial de Ana Carolina mostrou dados a respeito da desigualdade de gênero. Logo de cara, ela explicou que nenhum país do mundo alcançou a igualdade plena, mas no ranking o Brasil está numa péssima posição (85) e é o quinto em quantidade de mulheres assassinadas. Também nota-se uma redução no número de mulheres brancas assassinadas de um tempo pra cá, mas um aumento quando o recorte é de mulheres negras.

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Outra situação precária reforçada por Soledad, dessa vez olhando especificamente pra indústria da moda nacional, é a da mulher imigrante, especificamente a boliviana. Apesar do censo ainda estar pra acontecer, se sabe que a quantidade delas trabalhando no mercado informal e em condições sub-humanas é enorme. Soledad explica que o fluxo migratório mudou: antes o homem chegava primeiro e se estabelecia pra depois trazer a família; o que tem acontecido agora é a mulher migrar porque vê poucas oportunidades em seu país natal.

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A valorização do trabalho da mulher costureira também foi um ponto bastante apontado como uma possível alavanca na justiça de gênero. Ana Carolina sugere que a cadeia seja enxugada, com menos intermediários e mais cooperativas. Faz parte das atribuições do empregador vistoriar e garantir que os valores pregados pela empresa sejam respeitados na cadeia toda. Rachel também reforça que a indústria está muito aberta a entender e, como cliente da Asta, ela ajuda no processo não simplesmente com o dinheiro mas também na autoestima das trabalhadoras: “Elas sentem diferença quando percebem que são fornecedoras de grandes redes, como a C&A. E aí percebem que são a grande força matriz da família, se valorizam. Isso inclusive gera diminuição da violência com elas”.

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