A Bienal 2018 começou e é superestimulante!

07.09.2018

Há algo diferente aqui nessa Bienal. A proposta do curador Gabriel Pérez-Barreiro é, além da seleção de 12 artistas (3 deles com boas exposições póstumas que funcionam como retrospectiva e um jeito de torná-los mais conhecidos: Aníbal López, Feliciano Centurión e Lucia Nogueira), convidar outros sete pra eles também construírem suas curadorias próprias com uma única exigência: ela deve incluir obras próprias.

E tem muito mais coisa rolando em SP nesse feriado de 7/09 – clica aqui pra saber!

O resultado é interessante e, pra aproveitar, é necessário ter disposição pra assimilar – é como se você visitasse mais de sete exposições diferentes de uma vez! Elas têm pontos de intersecção – como o próprio nome dessa edição da Bienal, “Afinidades Afetivas“, sugere – mas também dá pra visitar várias vezes e ir curtindo aos pouquinhos, já que a mostra vai até 9/12 e é gratuita! A nossa sugestão, por exemplo, é reservar um dia só pra ver a “A Infinita História das Coisas ou o Fim da Tragédia do Um“, a densa curadoria de Sofia Borges no primeiro andar. Na galeria você vê imagens, mas não se engane: o segredo dessa Bienal está justamente nos conjuntos, nos diálogos entre as obras. Então tem que ir!

Na curadoria de Sofia Borges chamada “A Infinita História das Coisas ou o Fim da Tragédia do Um”, obras como essa, “Babados II” (1992), de Leda Catunda – vem ver mais!
Da própria Sofia Borges, “O Giz Branco” (2017)
“Ether Plane – Material Plane” (2014) da holandesa Jennifer Tee
Outra que participa da curadoria de Sofia, que deve acrescentar mais artistas ao longo da exibição da Bienal, é Sarah Lucas – aqui o seu “Tit Cat Up”
A obra do artista da Guatemala Aníbal López , morto em 2014, ganha uma retrospectiva. Aqui um frame do vídeo “Testimonio”, no qual ele chamou um matador profissional guatemalteco e o colocou escondido, apenas apresentando a sua silhueta, diante de uma plateia que podia fazer perguntas a ele no evento Documenta, em Kassel
Detalhe de “Vivan los Campos Libres” (2018) de Antonio Ballester Moreno – esses são milhares de cogumelos de barro feitos por crianças de SP e funcionários da Fundação Bienal
“Sem Título” de Feliciano Centurión – o paraguaio que morreu em 1996 tem um trabalho tocante de patchwork, bordado e outras técnicas manuais em tecido
O vídeo “The Living Room” (2011) de Roderick Hietbrink mostra uma árvore literalmente atravessando um lar – faz parte da curadoria “O Pássaro Lento”, de Claudia Fontes
“Sem Título” de Vânia Mignone – obras gigantescas e outras menores lembram quadrinhos e narrativas, mas a artista revela que, apesar delas terem o mesmo clima, não são uma série
Detalhe da instalação de Denise Milan: “Eu fui olhando as pedras cada vez mais como seres humanos, porque elas tinham formas humanas. E quanto mais fui olhando para isso, para sua narrativa, mais elas foram me contando”
“Jüngling vom Magdalensberg” (2018), de Oliver Laric, é uma escultura escaneada e impressa a partir de um trabalho “original”, que já era considerado uma cópia romana do primeiro século A.C. Mas nos anos 80 descobriram que a estátua havia sido fundida no século 16! E aí? A cópia da cópia falsificada… é arte?
“Glömd”, de Mamma Andersson – ela assina a curadoria “Stargazer II”
“Kissing Movable Things [ever beautiful we’ll dance over and again]” (2018), de Ruby Onynnyechi Amanze, é parte da curadoria “Sempre, Nunca” de Wura-Natasha Ogunji
“Rodtchenko” (2004) de Waltércio Caldas

33ª Bienal: “Afinidades Afetivas”
De 7/07 a 9/12; terças, quartas, sextas, domingos e feriados das 9h às 19h; quintas e sábados das 9h às 22h 
Pavilhão da Bienal no Parque Ibirapuera, av. Pedro Álvares Cabral, s/n, portão 3, Ibirapuera, SP
Entrada gratuita

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