SPFW primavera-verão 2002/03: biquíni-jóia e vestido-bijoux

18.07.2002

Biquíni-jóia e vestidos-bijoux. Estes foram alguns dos destaques do 3º dia da SPFW, que lança 38 coleções primavera-verão 2002/2003 até amanhã na Bienal, só para convidados. A Rosa Chá colocou a top Adriana Lima com um biquíni fio-dental de ouro branco, cravejado com 900 minidiamantes azuis, entre os modelos que fazem uma releitura fashion dos elementos do Carnaval. E Walter Rodrigues abriu o dia surpreendendo com uma coleção sexy e refinada, apoiada em leves drapeados e bijoux étnicas: Primitive Couture.

Segundo Walter, a sensualidade da coleção reflete uma volta às suas origens e uma necessidade do mercado internacional, onde ele se lançou em março estreando com desfile em Paris. Assim, o estilista deixa de lado a forte influência japonista que marcou seu trabalho nos últimos anos e retorna de fato à fluidez em ótimas construções com drapeados, num desfile sintético em tons de areia, laranja e marrom-claro.

Correntes sustentam as peças ou vêm sobre elas, moedas e medalhões aparecem em pontos estratégicos, seguindo uma pesquisa de Walter sobre os chakras e sua proteção. As bijoux, que também viraram estampas em relevo, estarão à venda a partir de setembro, assim como a nova linha de tricô e sandálias – todas trabalhadas em prata, com o espírito bijoux.

A Rosa Chá confirma a estratégia já mostrada em temporadas anteriores de que está de olho no mercado internacional. A marca paulistana foi a mais fashion e elaborada entre as de moda praia desta edição da SPFW, com uma coleção de peças sofisticadas e modernas prontas para fazer sucesso na Europa e nos Estados Unidos, onde desfila em setembro. Amir Slama, proprietário da grife, também está diversificando sua linha. Lança para o verão a água mineral Rosa Chá até as jóias em ouro branco – que tiveram como chamariz o biquíni e a minissaia de ouro branco.

O desfile, cuja boca de cena era uma cortina d’água pela qual alguns dos modelos homens atravessavam, começou com a top Isabeli Fontana (que acaba de saber que está grávida) e uma série de maiôs e biquínis cor-da-pele. Com estampas inspiradas em motivos tribais, a modelagem brinca com recortes inusitados em posições tão estratégicas quanto indiscretas, além de um malicioso jogo de transparências.

A valorização do Brasil e suas riquezas dá o tom da coleção, apoiada no trabalho da carnavalesca Rosa Magalhães, da Imperatriz Leopoldinense. A trilha mistura Villa Lobos, Hino Nacional tecno e Elis Regina cantando “o Brasil não conhece o Brasil” – é, mas nessa temporada, a moda pelo visto resolveu enfrentar esse gigante pela própria natureza. Vários estilistas entenderam que o Carnaval é um ótimo valor a ser agregado na moda nacional, principalmente junto à gringolândia – ufa!nismo!

Entre os principais motivos da coleção, índios em pose de Adão e Eva no paraíso lembram estampas de lenços de seda. Para os homens, uma nova versão de tanga, mais comportada. Folhagens, estrelas do mar e cavalos marinhos extrapolam as estampas e ultrapassam em relevo o limite dos biquínis e maiôs. Na coleção passada, musas como Marilyn Monroe e Sophia Loren viraram ícones da Rosa Chá. Agora é a foto das próprias modelos – brasileiras, é claro – que se transformam em estampa, cada uma com sua própria imagem. Mais personalizado impossível.

A Zoomp, de Renato Kherlakian, apresenta um verão refinado, tendo como inspiração viagens pela Costa francesa e a vida dos bon-vivants de berço, à beira da piscina. Destacam-se elementos esportivos em calças de formas confortáveis para os homens e vestidinhos de tênis retrô para as mulheres. Listras variadas pontuam a coleção, desde a versão tênis até o padrão rugby, passando pela risca-de-giz, ícone de estações mais frias, que aparece em short-saias e macacões para as mulheres e nas calças com detalhes esportivos no cós para os homens. Bons os jeans larguinhos femininos usados com pólo sem manga de tricô e a jaquetinha masculina bicolor, de inspiração golfe.

A noite ganha algumas transparências e um bom vestido de índigo manchado, com amarrações por meio de argolas. A técnica também é usada em calças multiuso, cuja proporção muda da pantalona para a mais sequinha com apenas um ajuste. O preto e o branco predominam com leveza, quebrados por suaves azuis e verde. Um verão acertado e cheio de boas idéias.

Já na passarela da Triton, a marca jovem de Tufi Duek, predominou a exuberância psicodélica dos anos 60/70, com estampas tipo flower-power e Submarino Amarelo, além do ambíguo 69 sob o arco-íris que o público vai adorar. O styling veio com boinas e muita corrente dourada, numa alusão ao movimento black-power, que é outra referência forte da temporada. Entre pantalonas de georgete e cigarretes justíssimas listradas, de cintura bem baixa, surgem pequenos tops de crochê e regatinhas bordadas com paetês. Tudo colorido lisergicamente sobre o branco.

No único desfile masculino do dia, Mario Queiroz usou uma inspiração literal de Andy Warhol para sua coleção, incluindo estampa com foto do próprio papa do pop quando jovem e de símbolos como a lata de sopa Campbell. Na padronagem, há também muito jogo de listras. Calças de couro e camisas de algodão recebem tecnológicos recortes a laser ou vêm na tradicional laise. A proporção tende a ser mais solta e confortável, com toques de pink e laranja flúor entre muitos tons neutros.

O estilista Lorenzo Merlino estreou aparentando um bom controle de cena. Assumiu as picapes do próprio desfile e pôde assistir de camarote a própria estréia na SPFW.  Entre os bons momentos, a cigarrete rosê com bom top xadrez azul/branco, as camisetas bordadas com lentes de óculos e a brincadeira do vestido Pantone, mix de Vik Muniz com Paco Rabanne.

Lilian Pacce para O Estado de S.Paulo

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