SPFW Outono-Inverno 2001

01.02.2001

A chegada da prefeita Marta Suplicy, que sempre prestigiou os desfiles, deu o tom oficial de abertura da São Paulo Fashion Week, quarta-feira, no pavilhão da Bienal. O primeiro dia já exemplifica uma das fortes tendências para o outono-inverno 2001: novos terninhos e tailleurs. O look que marcou o “power dressing” dos anos 80 chega suavizado ao terceiro milênio e em materiais inusitados como o jeans (Ellus) e o vinil (Alexandre Herchcovitch).

Herchcovitch, aliás, se sobressai não só por seu talento como por ter se apresentado num dia de marcas mais comerciais. Os fotógrafos foram colocados atrás da boca de cena, padronizando as imagens do desfile com uma paisagem ao fundo. A coleção é toda cowboy-glow, misto de Madonna hoje com Comme des Garçons de dois anos atrás. Os vestidos finais são o grande destaque do inverno, misturando drapeados, tecidos, bordados (de linha, cristais e canutilho) e franjas de vinil numa construção sofisticada e exuberante, sempre com meia-calça sob meia soquete coloridas.

Os paetês refletivos redondos deste verão – que mereceram citação na “VogueAmérica como revolução tecnológica – ganham versão folha, em efeito cascata, em doce verde-grama ou em prata furta-cor. Mas abusado mesmo são os intensos tons de pink, que vêm em mantô de lã, na camisa de tricoline com seda ou nas saias de jacquard. Os terninhos tem variações do tailleur Chanel (veste com decote careca, saia levemente evasê com aplicações de flor refletiva) à jaquetas western e casaquinhas que já vêm com colete, passando pelas versões no suave jeans tramado em vichy. As golas sob as vestes são imponentes mas não são golas. São lencinhos que se afivelam no pescoço e dão um efeito incrível.

A Ellus, que já havia lançado sua pré-coleção em novembro, pretendia um desdobramento de School Girl para School Glam. Mas o desfile teve poucos momentos tanto de uma quanto de outra, ressaltando mais uma garota debochada que brinca de luxo com tailleur – desde que seja de jeans. Os paletós revezaram com as jaquetas perfecto, aviador e de marinheiro. Os destaques são os modelos com plissado nas costas e os trench-coats de jeans – talvez a peça que faltava para nossa insaciável vontade de denim.

Microshorts e minissaias de jeans vêm com camisa e gravata, enquanto as peças de jérsei preferem fluidez e inscrições metalizadas – seja com afiados poemas do multimídia Arnaldo Antunes, que assistia tudo na platéia, ou com o nome da marca. Mais uma vez, a meia-calça é colorida, tão colorida quanto os tons da coleção: roxo, vermelho, verde-bandeira e preto.

Faltou alguém avisar a Carlos Miele, da M. Officer, que estamos nos lançamentos de inverno. Apesar dos apelos explícitos, com mãe-de-santo e seu séquito na passarela, imagens de orixás e música da candomblé comandada ao vivo por Carlinhos Brown, a coleção deixou todo mundo com cara de interrogação. Por mais que a marca persiga uma imagem de sensualidade, é preciso ter mais coerência com as estações climáticas.

Sai verão, entra inverno, e estão lá, firmes, as frente-únicas e os tomara-que-caia. Os materiais são sempre bacanas, como o couro preto picotado a laser (que forma uma renda), o couro vinho com acabamento stretch, o crochê azulão com aros pendurados, o jeans com frufru e a malha de alumínio em degradê (azul ou vinho). Ah sim, e havia um único e bom casaco de gabardine cru. Mas isso só ainda não basta.

A Equilíbrio partiu de peças clássicas da moda para criar seu inverno 2001. Urban-chic, ela aposta em terninhos, saias evasês e mantôzinhos com novas texturas como a estampa de paetês texturizados ou foscos, formando um camuflado. O tom militar aparece também nos casacos 7/8 e jaquetas, assim como nos acessórios (cintos, pulseiras e bolsas de carteiro), que estarão à venda na loja. “A nossa cliente reclama se não estiver absolutamente tudo a seu alcance”, diz Márcia Gimenez. O contraste leve/pesado ficou na mistura de peças de tricô, couro, seda, lã e georgete, em tons de marinho, preto, roxo, vinho, amarelo e bronze.

Lilian Pacce para O Estado de S. Paulo
(Colaborou Emanuela Carvalho)

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