Paris Primavera-Verão 2001

A grande notícia das coleções de alta-costura primavera-verão 2001, que aconteceram semana passada em Paris, não estava exatamente nas passarelas. No último momento, a Givenchy cancelou o monumental desfile programado e resolveu fazer uma minúscula apresentação em seu ateliê apenas para pouquíssimas e seletas clientes de alta-costura – duas dúzias de mulheres que podem pagar US$ 15 mil por um tailleur básico. A coleção foi inspirada numa viagem à África.

A versão oficial da grife diz que as costureiras se recusaram a fazer hora extra e que alguns tecidos não chegaram a tempo. Mas o mundo da moda especula outra versão. O atual estilista responsável pela Givenchy, o inglês Alexander McQueen, acaba de vender 51% de sua própria marca para o grupo Gucci, que vem a ser arquiinimigo do grupo LVMH, detentor da grife Givenchy. Além disso, o contrato de McQueen com a Givenchy termina este ano e alguns insiders acham que Bernard Arnault, o todo-poderoso do LVMH, não queria promover uma despedida triunfal de McQueen na maison.

Assim, nem fotógrafos nem jornalistas tiveram acesso ao desfile e McQueen foi visto pegando um táxi logo após a apresentação – ou seja, nada de receber os convidados para os usuais cumprimentos no camarim. O estilista belga Olivier Theyskens é o nome mais cotado para assumir o lugar de McQueen. A advogada de Theyskens reivindica um contrato de US$ 5 milhões – e é aí que a coisa está pegando.

Fora isso, foi uma semana tranquila, em que cerca de 10 maisons apresentaram seu verão couture fiéis a seu estilo. Segundo Eliana Tranchesi, da butique Daslu, a temporada foi muito bonita. “Principalmente para os meus olhos que enxergam o lado comercial”, diz. “Até o Galliano (da maison Dior) acabou com o lixo da roupa rasgada e fez loucuras sim, como sempre, mas tudo muito elaborado, como os lindos bordados no couro“. Para a maison Dior, Galliano misturou punks, roqueiras e mamães milionárias com seus lindos bebês ou com vestidos que estavam nas atividades domésticas.

Jean-Paul Gaultier transformou a cabeça das modelos em verdadeiros jardins floridos. Para isso, montou uma verdadeira floricultura em seu backstage. A modelo aristocrática inglesa Stella Tennant fez sua reestréia na passarela depois de dar à luz a seu segundo filho. Tanto Gaultier quanto Chanel resgataram a silhueta dos anos 30. O preto-e-branco predominou nos looks de saia longa com camisa e gravata na Chanel, assim como em todo o início do desfile de Valentino, que também investiu em tailleurs e redingotes.

Versace teve Pamela Anderson, Salma Hayek e Robert Altman na platéia, para deleite dos paparazzi. A coleção, que é desenhada por Donatella Versace desde a morte do irmão Gianni, veio com cores fortes, aplicação de flores, texturas e materiais imitando tartaruga. Ungaro também apostou em tons intensos de rosa, amarelo, vermelho e roxo. E Christian Lacroix surpreendeu por atenuar seu barroquismo.

Yves Saint-Laurent, a maior expressão viva dos grandes dias da alta-costura, manteve a tradição em todos os sentidos: encerrou a semana de lançamentos, beijou sua musa Laetitia Casta, explorou a clássica elegância que fez sua fama. Só fugiu da tradição ao colocar na passarela um smoking preto (que ele lançou para a mulher nos anos 60), sem nada embaixo, em look semelhante ao que Tom Ford mostrou nas passarelas em outubro ao estrear como diretor artístico da linha prêt-à-porter da própria grife Saint-Laurent, que agora pertence à sua Gucci. A pergunta é: com isso Saint-Laurent fez um aceno de aprovação ou de provocação?

Lilian Pacce para O Estado de S.Paulo

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