O último dia da Casa de Criadores foi babado!

01.12.2018

Motoqueiras sensuais, jogo do bicho, uma construção do imaginário de gênero não-binário e do feminino empoderado, os deslocamentos das minorias… O que vai ser? O quinto e último dia da 44ª edição da Casa de Criadores no Museu de Arte Contemporânea de SP trouxe tudo isso e mais! Vem conferir na galeria!

A noite começou com as nuvens de Heloísa Faria
A estilista diz que a situação está tão difícil, politicamente, que a cabeça escapou pra cima e foi pras nuvens. A referência também é relacionada com a nuvem da internet, onde a gente guarda coisas, e às bolhas que a gente vive
Muito azul, estampas e tricôs convivem com tecidos e peças vintage que Heloísa altera. Uma delícia de coleção!
Tom Martins e a sua Martins.Tom chegam surpreendentemente mais elétricos, com uma coleção exuberante inspirada na avó do estilista
Ela é fanática por jogo do bicho – por isso aparecem essas estampas de bicho com pegada geométrica de Fábio Gurjão, o F.Kawallys
E também as penas de avestruz nos acessórios em colab com Carlos Penna
Mais estampa? Toma: essas são de Herbert Loureiro, do Clube Lambada
As listras remetem às sacolas de feira, que Tom frequentava com a avó quando era criança, e o tricô veio do armário dela – “mas mudei a proporção, pra ficar oversize”, ele explica
Paula Cozendey abre o desfile do seu irmão, Fernando Cozendey, que cria motoqueiras sensuais pra essa nova coleção
“Tinha decidido que ia fazer uma coleção só se Bolsonaro ganhasse a eleição, se ele perdesse eu ia ficar de boa. E mesmo assim fiz algo escapista, não conseguiria entrar num processo criativo intenso depois dos anteriores”, ele explica no backstage
É tudo lycra, como de praxe, mas existem novidades…
É a primeira vez que Cozendey usa logo e é a primeira vez que ele faz matelassê!
Angela Brito decidiu falar dos deslocamentos das minorias ocupando os espaços que lhes são de direito. É por isso que as peças trazem esses movimentos – o botão do cós levemente deslocado…
Os acessórios trazem esse leve movimento com plumas
E a roupa da Angela é muito chic!
A Saint Studio segue seu estudo minimalista – na coleção anterior eles focaram em cor e agora eles pensam nas formas, fazendo curvas arquitetônicas com a ajuda de barbatanas
Vicente Perrotta crê que a roupa é violenta com o feminino. “Onde estão as travestis?”, ele pergunta, e responde com uma construção de espaço e imagens pra esse universo marginalizado
“Como é o meu primeiro desfile na Casa de Criadores, decidi fazer um compilado dos meus trabalhos e minhas técnicas com a linguagem de hoje”, explica. O trabalho de Vicente passa pelo upcycling de roupas descartadas que ganham um novo significado com suas reconstruções
Olha essa saia, por exemplo, construída de pólos
“Pós-pentecostal”: as referências à Universal e trechos bíblicos ressignificados falam das reações de evangélicos que ameaçam a existência do não-binário e da comunidade trans
“Quero trazer conversas e apontamentos” – sobre a população HIV positiva, por exemplo
Olha a construção desse look: a alfaiataria, que a gente liga ao imaginário masculino, reconstruída e quase anulada pela lingerie de renda
Vicente tem um trabalho de reconstrução, tanto de roupa quanto de imagem, muito instigante e que gera reflexão – é moda mas também é expressão artística coletiva
Por fim, a noiva de Vicente que fecha a apresentação, alegórica, incrível, de postura altiva!
A noite terminou com performance do Brechó Replay
Intervenções de arabesco tribal, bem anos 90, dominam as peças, a maioria em P&B

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