Lenny, Maria Bonita e Blue Man são os destaques do Fashion Rio primavera-verão 2002/03

27.06.2002

Rio – Lenny, Maria Bonita e Blue Man foram os grandes destaques da Fashion Rio, que lançou 28 coleções para a primavera-verão 2002/2003 semana passada no Museu de Arte Moderna do Rio. O evento é uma evolução da antiga Semana de Estilo BarraShopping. Ficou mais profissional e, é claro, de acesso bem mais fácil graças à nova localização. O número de celebridades por metro quadrado impressiona. Os globais mais assíduos foram Carolina Dieckmann, Priscila Fantin, Maitê Proença e Gloria Maria, além de Carolina Ferraz, Miguel Falabella e Luciano Szafir, que dividiram atenções com o jogador Romário e empresários como Pedro Paulo e João Paulo Diniz, que foram ver a amiga Naomi Campbell desfilar para a Lenny.

Este clima de festa faz parte do Rio, nossa Hollywood brasileira, QG da TV Globo. Mas há muitas marcas que ainda não entenderam que um “fashion show” não é uma exaustiva apresentação de showroom só para clientes e pecaram pelo excesso de modelos na passarela ou pela falta de edição desses modelos, perdendo uma ótima oportunidade de criar uma imagem forte para sua grife. Claro que grifes tarimbadas já aprenderam a lição faz tempo e fizeram bonito, e a moda praia é ponto alto no Rio.

É o caso, por exemplo, da Lenny, que traz uma coleção de intensa pesquisa tecnológica com resultado sofisticado que lhe garante a preferência entre seus clientes e amigos jet-setters que assistiram ao desfile sentados em bancos de Bali colocados no lugar da primeira fila. A presença da top Naomi na passarela de areia emoldurada por um espelho valorizou ainda mais a coleção. Ela abriu o desfile com calcinha amarrada como lenço na lateral e top de bottons de jade – material que se transforma em biquínis e acessórios combinado a estampas de paisagens em tons de verde.

A estilista Lenny Niemeyer diz que a coleção se inspira nas mulheres-girafa das tribos Massai e em culturas milenares selvagens, de grande apelo sensual. A melhor síntese desta idéia está nos modelos do final, em marrom, bordados com pedrinhas, botões, contas e ouro, que terminam em fios pendurados, como a frente-única com a qual Naomi fechou o desfile.  Mas há modelos mais básicos, com estampas florais ou listras, em tons de marrom, azul e açafrão, ou os lisos hi-tech cujas peças vêm com acabamento ondulado.

Depois de 3 anos desfilando em São Paulo, a Blue Man voltou ao Rio para comemorar seus 30 anos na praia. A coleção fica mais interessante quando se sabe que o estilista David Azulay reeditou suas próprias criações, a maioria dos anos 70, como os biquínis de crochê que dão trabalho a mais de 500 artesãs. Ana Beatriz Barros abre o desfile com o top escrito “Uau!”, de 1974, agora em tela furadinha. A platéia aproveita para desopilar em uis e uaus a cada top model que entra, com calcinhas baixas, tipo cocota, e o corpo despudoradamente lambuzado de areia. O auge vem no final, com a entrada de Monique Evans, grande modelo da época que hoje apresenta um programa de sexo na TV, em biquíni-maiô preto que cruza na frente com “1972” em branco, enquanto todo o casting está de branco com “2002” em preto.

Do baú de David Azulay saíram também os modelos de jeans (agora stretch com lavagens dirty ou blue, que são usados sobre outra minicalcinha) e a estampa da Amazônia enlatada, como no maiô assimétrico vazado. A tendência de patchwork desta estação transforma os barrados de pano de prato em biquínis que misturam xadrez, poás, listras e florezinhas, de preferência em branco, rosa e vermelho.

Saindo da praia, o Rio conta com dois nomes de peso no prêt-à-porter feminino: Andréa Saletto e Maria Bonita. A estilista Maria Cândida Sarmento diz que tentou ser o menos chic possível em sua Maria Bonita, desconstruindo peças, deixando-as desfiadas e sem acabamento. Mas nem assim Cândida perde seu estilo de moça fina e clean, que agora quer zíperes e jardineiras utilitárias em seu armário. Tudo é confeccionado com materiais nobres como sedas, algodões e crepes fluidos e amassados. Para acompanhar, parkas e ótimas jaquetinhas, sempre em tons de branco e bege, que brincam levemente com estampas de palavras e números aleatórios em branco, e também patchworks de tecidos diferentes. Depois o desfile ganha tons de cáqui e oliva com pinceladas de amarelo cítrico ou azulão, como um bolso ou uma faixa lateral. As formas confortáveis vêm das peças esportivas.

Outra veterana da moda carioca, a estilista Andréa Saletto também aposta nas variações do branco em seu verão 2003. Ela vai da sobreposição básica de uma regata com uma t-shirt de telinha branca a túnicas de linho branco com bordado rico (e cool) em tons de grafite. A hegemonia do branco só é quebrada pelo marrom, como a sainha de chamois com cinto baixo todo bordado. É uma mulher sutil, que gosta do conforto de peças mais esportivas mas sabe reconhecer um bom trabalho em moda, como a saia de plissado amassado.

A Salinas trouxe uma moda praia inspirada no psicodelismo dos anos 70, no calçadão de Copacabana e nas cores da Mangueira, com dona Zica (viúva do mestre Cartola) aos 90 anos assistindo a homenagem à sua escola. Já a Rygy colocou Toni Garrido para tocar ao vivo, assim como a Sandpiper teve a música de Pedro Luiz e a Parede, além da atriz Luana Piovani com cabelo rastafári desfilando na passarela. Um dos tops que Luana deveria usar arrebentou. Ela resolveu entrar topless cobrindo o peito com as mãos, e tornou esta cena a imagem mais forte do desfile. Na Totem o tom era de amor total. A marca de Fred d’Orey selecionou casais reais, da praia e de modelos, em seu casting, incluindo casais gays como as meninas da marca alternativa Dress Code, que faz parte do Mercado Mundo Mix.

Lilian Pacce para O Estado de S.Paulo

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