Desfiles masculinos encerram o SPFW Outono-Inverno 2001

06.02.2001

O lançamento das coleções masculinas para o outono-inverno 2001 encerrou a São Paulo Fashion Week, segunda-feira, no prédio da Bienal. As gravatas estreitas são o novo statement para os homens, não importa se seu perfil é de estudante, caubói ou executivo. O evento, antes chamado de MorumbiFashion Brasil, reuniu 24 desfiles durante seis dias, e recebeu em média 10 mil pessoas por dia, segundo os organizadores.

Quatro grifes apresentaram separadamente seu masculino: Alexandre Herchcovitch, Fause Haten, Ellus e Ricardo Almeida. Mas já é hora de outras aderirem, como Forum e Zoomp, endossando o projeto de Paulo Borges de ter mais desfiles a cada temporada, até chegar a 50 em 2004.

Alexandre Herchcovitch abusa do pink mais fluo num casting andrógino, de meninos maquiados e bem penteados. Ele subverte a imagem de caubói – referência desta coleção – e cria o anti-caubói, o caubói pink, que não abre mão dessa cor nem nas botas western.

Alguns vêm com saia no jeans vichy sobre calça de vinil preto e camiseta de tela preta sobreposta à de malha branca. O blazer (de cetim pink ou de jacquard de bolas) tem ombreira marcada, mas a peça preferida aqui é a jaqueta. A calça seca pode ser de adamascado preto ou de jeans com bordado floral na lateral.

Enquanto o homem Herchcovitch é gêmeo da mulher Herchcovitch, o de Fause Haten é bem mais jovem do que sua mulher. Um homem que se veste para a noite e gosta de chamar atenção. É assim que Fause define sua coleção masculina. As cores são exuberantes (vermelho, roxo, verde), o cinto tem fivela oval toda de cristais. Cristais grandes formam a faixa lateral dos joggings e retângulos de paetês estampam a barra das calças. Camisetas de cores diferentes vêm sobrepostas com apenas uma manga arregaçada. Bom o jeans manchado e respingado de dourado com barra cortada. Fause não perde a oportunidade de bordar sua nova logomarca (um H com F invertido) em jeans e camisetas. Ternos monocromáticos vêm com sapatos coloridos, de estampa floral tipo Liberty. O homem Fause quer se divertir e não está nem aí para a opinião alheia.

O desfile masculino da Ellus foi muito mais acertado do que o feminino. O clima de colégio americano, numa coleção bem preppy, foi literalmente cercado por telas de arame de quadras de esporte. Pedro Falcão, novo garoto-propaganda da marca, entra jogando basquete. A partir daí a coleção traz todos os elementos do uniforme desse estudante, dos cangurus de moletom aos pulôvers de lã. Até o terno é cinza-escola com pulôver marinho sobre camisa branca com gravatinha. As camisetas com “University Ellus” e números também fazem parte da rotina, até mesmo em versão metalizada. O tartan em preto/vermelho/amarelo aparece em calças e bermudas combinadas com a boina.

2 pontos altos são garantidos pelos jeans: a versão black com pesponto vermelho ou em estilo alfaiate, com bolso faca na frente. Esse último vem com jaquetinha igual, camisa branca e gravatinha, quando todos entram comemorando o final, numa farra tipo festa de formatura.

Para compensar a overdose de celebridades na passarela da estação passada, Ricardo Almeida radicalizou: cobriu de preto o rosto dos modelos colocando na passarela o prezado cliente anônimo. Ótima idéia. Mas fora isso, tudo era meio difícil: a luz intermitente, as bainha curtas descombinadas com a meia e o sapato, a cartela de cores (marrons e verde-azeitona), a mistura de padrões entre o paletó e a calça, como listras e xadrez por exemplo. O resultado foi um cruzamento de “O Máscara” com Mário Fofoca (personagem interpretado por Luís Gustavo em novela da Globo).

Lilian Pacce para O Estado de S.Paulo (colaborou Emanuela Carvalho)

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