Estilistas comentam as mudanças no calendário da moda

25.04.2013

O calendário da moda brasileira passa por mudanças desde o anúncio de um novo sistema de datas, pensado exatamente pra alinhar melhor os desfiles com a indústria e o comércio. SPFW e Fashion Rio passaram a acontecer 6 meses antes das estações em si desde outubro de 2012, quando as marcas mostraram seu outono-inverno 2013.

Esse timing é importante pra produção ser entregue a tempo pros compradores e, por conta desse ajuste, em 2012 contabilizamos 3 temporadas, num clima de adaptação com eventos mais enxutos em estrutura e line-up. Mas em 2013 tudo volta ao normal, com a 1ª de duas temporadas recém-terminada.

Blog LP conversou com estilistas pra entender como está funcionando este novo esquema e, curiosamente, as reclamações se devem ao fato dos desfiles acontecerem com muita antecedência, especialmente no caso do SPFW. Oskar Metsavaht comentou no backstage da sua apresentação: “Foi muito difícil. Mostrei o desfile de verão em setembro em NY, o inverno em outubro e agora o verão aqui de novo – só que nesse meio tempo teve Natal, Ano Novo, Carnaval… Está adiantado demais, o showroom é só daqui 15 dias e a coleção só vai estar em setembro nas lojas. Espero que entremos em um ritmo de trabalho mais confortável pra todo mundo”.

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Carô Gold (sócia de Pitty Taliani na Amapô) também cita dificuldades: “O que eu vi nessa temporada em março foi que nós perdemos um pouco o timing, porque tivemos Ano Novo pela 1ª vez em muito tempo e aí veio o Carnaval, então acabamos atrasando um pouco. Acho que tudo é uma questão de se adequar, no começo vai ter uma dificuldade, mas a gente sempre se adapta”. Vale lembrar que antes os desfiles de outono-inveno aconteciam em janeiro e naturalmente as festas de fim de ano acabavam prejudicadas pros estilistas entregarem as coleções a tempo. Com esta primavera-verão 2013/14 em março, as tão sonhadas férias acabaram atrapalhando o ritmo!

Assim como a Osklen, a Ellus também marcou o lançamento das coleções comerciais pra abril: “Pra gente, um mês depois seria a data ideal. O lançamento das coleções comerciais [em atacado] é 15/04 e 15/10. Março é apertado por causa do fim do ano, Carnaval. E, de qualquer forma, junho ficava muito tarde mesmo, já ficou melhor em março”, explica Adriana Bozon, seguida por Vitorino Campos, fazendo coro no time: “Março realmente foi corrido. Algumas marcas apresentam seu showroom em abril mesmo, mas quando tudo se encaixar, acho que a data vai ser boa pra todos”.

O fato é que tudo ainda passará por mais mudanças e o próprio Paulo Borges cita um ajuste de datas. “Nesse momento a gente tinha um contrato com a Bienal e não podíamos mudar. Mas também no final de março tinha o feriado de Páscoa. A ideia é fazer um ajuste na data e ir pra final de março, começo de abril, se não tiver feriado. Essa reclamação de fornecedor de tecidos eu já ouço há anos, não vai acabar”, diz Paulo, referindo-se aos problemas de entrega de fornecedores que teriam complicado a produção das coleções no novo calendário.

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“A mudança foi importante. Não fazê-la achando que estaria tudo resolvido não é verdade. O 1º momento é de adequação e lá na frente todos vão esquecer essas dificuldades, porque entraremos em sintonia. Isso é importante pra indústria têxtil se preparar pra apresentar suas coleções antes também”, pontua Roberto Davidowicz, da Uma. Alberto Hiar, da Cavalera, segue o mesmo raciocínio, reforçando que “ainda serão necessários ajustes, mas não dá pra reclamar, porque pelo menos a grande mudança já foi feita. Sempre vai ter um que vai achar ruim, isso é normal”. “Ou você se adapta ou então não faz, né?”, diz João Pimenta.

Reinaldo Lourenço, por exemplo, saiu do line-up do SPFW nesta temporada de primavera-verão 2013/14, assim como Gloria Coelho, André Lima e Paula Raia. “Pulei porque tinha adiantado muito e não ia dar pra terminar a coleção comercial a tempo. Um desfile é fácil, são só 20 looks, mas a coleção mesmo precisa de um estudo de preço, consome muito da equipe. O ideal seria a temporada acontecer entre abril e maio”, conta Reinaldo.

Ainda estamos num processo, haja vista o novo salão de negócios carioca, o Bossa Nova, que acontece em maio, um mês depois do Fashion Rio. E ele não deve parar por aí, já que a moda brasileira precisa se concentrar em medidas pra sair de uma crise que começou na indústria têxtil e foi agravada com a entrada das marcas de luxo internacionais mais o fast-fashion que dificulta a concorrência pelo menor preço. A Topshop já entrou aqui e existem rumores sobre a chegada da H&M… Há tempos também é discutida a existência de dois grandes eventos no Brasil. Fala-se de um reposicionamento de desfiles de outono-inverno em SP e primavera-verão no Rio, resultando em apenas uma grande semana de moda brasileira. O movimento de mudanças é mais do que importante: é crucial.

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