Amir Slama atrasa uma hora e meia e propõe diversidade… em blocos

Marcio Madeira/Agência Zeppelin/Montagem Site Lilian Pacce
A modelo e artista trans Carol Marra (esq.) abre o bloco do Instituto Dona de Si, projeto de Suzi Pires (dir.). Vem ver mais Próxima Ver mais fotos
A modelo e artista trans Carol Marra (esq.) abre o bloco do Instituto Dona de Si, projeto de Suzi Pires (dir.). Vem ver mais

Ontem, 24/04, os desfiles do SPFW já começaram um tanto atrasados. Mas, mesmo com intervalos grandes entre eles, a coisa virou uma bola de neve, a ponto do desfile de Amir Slama, antepenúltimo da noite, se iniciar uma hora e meia depois do horário marcado. Seja lá de quem for a irresponsabilidade, isso prejudica o público, o evento em si e, especialmente, os colegas que apresentaram suas coleções depois (Modem de André Boffano e Lino Villaventura) e tiveram quórum reduzido. Amir comemora 30 anos de carreira (divididos entre a marca que fundou, Rosa Chá, e a sua marca homônima) em 2019, e o que devia ser um parabéns bonito ficou prejudicado.

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E também sai prejudicada a iniciativa bacana da artista Suzi Pires, apresentada no começo, uma coleção-cápsula feita em parceria com Slama com renda revertida pro Instituto Dona de Si, que acelera talentos femininos da economia criativa brasileira mirando no equilíbrio de gênero nesse mercado, com inserção social, capacitação e orientação profissional. É um bloco separado, com um casting bem diverso que inclui de Johnny Luxo à cineasta Anna Muylaert. Tudo certo – mas depois a luz muda, começa o “desfile de verdade” com uma sequência de modelos de corpo padrão e aí você pensa: “Bem, a diversidade só acontece na coleção com o Dona de Si, então…”

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Mas não. Depois entra Carlinhos Maia, o Rei da Internet com 13,9 milhões de seguidores no Instagram, e o noivo Lucas Guimarães. Carlinhos se assumiu gay faz pouco tempo – e depois fez vídeo polêmico do tipo “sou gay mas tenho jeito de homem”. Os dois entraram ao mesmo tempo usando transparência, posaram e saíram performando heteronormatividade. OK. Segue o baile – e o desfile, com mais modelos de corpo padrão. 

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No fim, ainda tem espaço pros meninos plus size: Gominho, Dudu Barros e John Drops. E pronto. Tudo assim, cada qual no seu bloquinho. Não faz o menor sentido uma diversidade que não é misturada. Se é separada, a diferença sobressai: é um convite pra rótulos, pro reforço do “you can’t sit with us“. Fica um gosto de fake na boca, uma pena. (Jorge Wakabara)

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