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Alexandre Herchcovitch (masc.) – SPFW primavera-verão 2010/11

14.06.2010

No dia seguinte à discussão que esquentou a Bienal com a temática “imagem de moda vs. moda de fato para os homens”, Alexandre Herchcovitch ensina como juntar as duas coisas de forma mais que precisa. O que não é novidade, diga-se de passagem. Ou alguém já conseguiu descolar da retina o exército de caveiras skinheads da temporada passada? E, ali como aqui, há produto, cria-se desejo de consumo, sacode-se os costumes. Desta vez, a viagem de Alexandre é sessentista, dândi e mirada no clássico de Stanley Kubrick, “Laranja Mecânica”, de onde sai o chapéu coco que permeia toda a coleção. O acessório está na cabeça de todo o casting – inclusive da deliciosamente andrógina Shirley Mallmann, única mulher ali – e assume variações de altura e textura, ficando irresistível na versão palha.Pinta também estampado nas camisas, espertamente sobrepostas por coletes de náilon fininho. Fazer alfaiataria com um material tipicamente esportivo já não é novidade para Alexandre e ele acerta mais uma vez nas boas bermudas pregueadas. Os paletós e casacos tem forma levemente evasê, quase um A, shape ícone dos 60´s, enquanto outros blazers, feitos em tecido de tapeçaria ficam excelentes de mangas curtas. Sobra tempo para um exercício de desconstrução do trench-coat e para um festival de calças de gancho baixo e comprimento na canela, elaboradas com a mesma felicidade em lã, zibeline ou jacquard. Listras, xadrezes e até tachas conversam e se entendem, já que a combinação aqui é sutil, sempre muito elegante. Não dá para não citar os sapatos de alma clássica, encaixados na sandália vazada, numa ideia nada convencional, tipicamente Herchcovitcheana. Imagem impactante, com moda real. (Sylvain Justum)

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