Weider Silveiro primavera-verão 2015/16

23.04.2015

“De que forma vou conseguir fazer uma roupa diferente, com valor agregado, nesse esquema chinês que vende milhões de metros de tecido?”, Weider Silveiro se perguntou, enquanto estava na China a trabalho. Ele encontrou a resposta em uma outra viagem que fez em seguida, pro Chile, onde encontrou com o povo indígena Mapuche. O estilista se encantou com o senso estético deles e partiu daí pra criar sua coleção de primavera-verão 2015/16, que é uma das melhores que ele fez, encontro de várias referências que já permearam seus desfiles. Brilho, como naquela coleção em homenagem a Michael Jackson? Sim. Silhuetas limpas como as da primavera-verão 2012/13? Também. A latinidade da primavera-verão 2011/12, mesmo que em outra pegada? Presente. Trabalho artesanal? Quase 80% da coleção é feita a mão. Sapatos fechados, mais masculinos? Sim. A presença de uma das musas de Weider, Karine Alexandrino, como no 1º desfile solo de Weider, que aconteceu há 10 anos? Tem mulher tombada sim – e cantando ao vivo!

Quem espera por um clima superétnico por causa do tema pode se espantar: de mais literal Weider só pega o bordado com miçangas coloridas, que depois viram blusa e vestido preciosos, com vazados de losangos. E é a 1ª vez que ele trabalha com crochê, em peças que também parecem redes ou telas, conversando bastante com as tendências que apareceram no SPFW na semana passada. Valem menção os belos tecidos rústicos de tear do começo, parceria com Alexandre Herbert. No lugar dos acessórios em prataria gigantescos dos Mapuche, ele opta por um paetê prata ofuscante na roupa mesmo – as peças com intervenção de franja de seda em cru ou de um grafismo com miçangas são as mais legais, glamour com um elemento estranho que quebra a imagem. De acessório mesmo, só um brinquinho bem pequeno, quase imperceptível, da designer Carina Unfer. Weider é bom quando é minimalista, mas é ainda melhor quando subverte esse minimalismo – não dá pra chamar de minimal, não dá pra chamar de maximal… Fora de estereótipos, fora da caixa, mais autêntico. (Jorge Wakabara)

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