Weider Silveiro outono-inverno 2018

09.11.2017 - 11:40 Desfiles comente!

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Há 13 anos, Weider Silveiro chegava em SP. De lá pra cá, a gente já viu mil faces da sua moda nas passarelas da Casa de Criadores, do brilho estruturado de Michael Jackson à trilogia da cegueira branca, do seu amor pela alta moda com direito à homenagem a Cristóbal Balenciaga aos seus lados japonista e indígena. Agora pinta mais uma versão, que mergulha no upcycling de cabeça (ele começou no jeans customizado da temporada anterior que deu muito certo) e rebobina a fita pra, justamente, 13 anos atrás, quando o estilista se encantou com a Galeria do Rock!

Mas não é só esse lado mais urbano que aparece na passarela. Amigos, pessoas de seu círculo, se misturam com modelos formando uma tribo queer no sentido mais amplo da palavra: esquisita, exótica, mas orgulhosa do que a diferencia. A saber: Candy Mel da (recém-interrompida) Banda Uó, Walério Araújo (um dos primeiros grandes amigos de Weider na moda e em SP), Renata Bastos, Janaina Rueda do Bar da Dona Onça (que Weider e Walério frequentam), Marcelona, o cantor Jaloo, Johnny Luxo e a lenda viva Eloína dos Leopardos, que recentemente participou do documentário “Divinas Divas” de Leandra Leal (aquele que tinha Rogéria, Divina Valéria, Jane di Castro e tantas outras divas travestis dos palcos dos anos 60) e é a idealizadora do mítico show erótico “Noite dos Leopardos“.

Esse mix representa a agitada noite paulistana, onde Weider se sente em casa e que andava um tanto distante da sua passarela: “Estou com vontade de aproximar o produto do meu discurso. Estava com uma roupa muito elitista”, ele explica. E elitista no sentido de burguesa ou até certinha – aqui ele se permite sujá-la mesmo que respeitando códigos da moda tipo silkando a bota-meia do momento à lambe-lambe; pegando a alfaiataria de brechó, a reconstruindo e inserindo num styling que a valoriza; provocando com looks de lycra apresentando corpos de diversos tamanhos mas todos atrevidos, sensuais e, por que não?, editoriais!

Esse não é um desfile necessariamente político, mas pode ser lido dessa forma se você leva em consideração o clima conservador de hoje, como uma confrontação ao status quo e uma recusa ao conformismo. A gente lê endereços silkados nas peças: Copan, Anhangabaú, Roosevelt. Gentrificado? Na atitude e no clima, valoriza-se mais o convívio pacífico: tudo cabe e tudo conversa, o que já existia antes recebe o novo numa boa. Weider resume: “A gente [a turma do casting] pode ter divergências. Mas principalmente temos a consciência da diversidade, mesmo sem concordar em tudo”. Isso é respeito e compreensão, um senso de alteridade que Weider tem e que falta, e muito, por aí. (Jorge Wakabara)

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