Vitorino Campos outono-inverno 2015

05.11.2014

Já assistiu à Trilogia das Cores de Krzysztof Kieślowski – que, aliás, acabou de ser reapresentada na última Mostra Internacional de Cinema de SP? Vitorino Campos parte do filme mais famoso entre os 3, o “A Liberdade é Azul” com Juliette Binoche, mais especificamente a cena em que ela mergulha na piscina (o maiô preto, o cabelo molhado, a sensação de estar debaixo d’água), pra criar todo o seu outono-inverno 2015 – e a partir daí já dá pra dizer com gosto que é um ótimo sinal ver um estilista jovem buscando repertório em referências diversas.

Materiais refinados continuam como um dos motes do estilista: jacquard (o feito em organza com o urdume puxado na parte de baixo pra criar uma penugem, foto 11, é lindo), vison (de reaproveitamento), gazar azulão. Até o jeans é especial: “Não resisti quando encontrei esse lote de jeans índigo antigo”. Toques esportivos como os patches com as inicias da marca, referências ao roupão (especialmente nas faixas acinturando alguns looks) e a rede de poliamida dão um charme – desde Alexander Wang e Phoebe Philo, esse mix de sporstwear com o formal entrou em cena e Vitorino está certo em explorá-lo também. Muito bom o detalhe da saia atrás, com o zíper aparente duplo, um aberto e o outro fechado, como se a mulher estivesse tirando a saia e aparecesse uma parte da calcinha por baixo. E entre as estampas, a melhor é a do top na foto 15, retirada de um cartaz de festival russo de saltos ornamentais. E é de se pensar também que, com a crise da água, esse ambiente do nado, aquoso, seja um desejo latente, um luxo cada vez menos acessível. (Jorge Wakabara)

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