Uma volta às origens na estreia de Angela Brito na Casa de Criadores

28.07.2018

Na sua coleção de estreia na Casa de Criadores, Angela Brito, que é de Cabo Verde mas mora no Rio, decidiu falar da sua terra natal. A ideia surgiu porque ela visitou o país depois de 5 anos sem ir pra lá e ficou por 40 dias. “Pensei em falar de um não-lugar, porque estou sempre em um lugar que não me esperam. E porque Cabo Verde também é um não-lugar, 10 ilhas boiando no oceano”, ela explicou no backstage. Uma das únicas estilistas negras a desfilar em eventos de moda de grande porte (estamos falando não só do Brasil mas do mundo), sua moda é importante não só por esse lugar que ela ocupa, mas também por não se atrelar a apenas isso. Não se rende ao estereótipo de moda africana e, dessa vez, após uma coleção anterior sobre feminismo negro, também se desvencilha da militância, em busca de algo mais leve. “Às vezes dizem que algo é moda africana e eu penso, que África é essa? Porque não é a África que eu conheço”, ela explica, mostrando que o continente é plural. 

E, acima de tudo, a moda de Angela é chiquérrima. O seu nonchalance, com várias referências ao mar, vento e areia, é natural. Várias peças são multifuncionais: o vestido vira saia, a blusa pode ser usada de pelo menos duas maneiras… Os tecidos são fluidos, acompanham o movimento, alguns trazem texturas de ondas. Dá pra ver a preocupação com conforto também nos elásticos grossos, nos recortes bem arredondados e convidativos, no calçado sem salto, nas sobreposições. E a imagem de moda é organicamente bela, sem esforço. (Jorge Wakabara)

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