Saint Laurent Paris (masc) primavera-verão 2016

29.06.2015

Dizem que foi Alessandro Michele, atual estilista da Gucci, quem começou a nova onda andrógina que virou uma das propostas mais fortes da moda nesse meio dos anos 2010 – mas será que existiria um Michele antes de Hedi Slimane? Dizem, também, que foi Raf Simons quem “inventou” o skinny jeans, mas que foi Hedi Slimane que o “amplificou”: eram os anos 2000 da Dior Homme e o momento em que Kate Moss pegou aquele coletinho de alfaiataria, transformou-o em peça-desejo das mulheres e, voilá, fez-se história fashion. Esse era um 1º momento andrógino do novo milênio.

E Slimane logo conseguiu trazer esse código dele pra Saint Laurent Paris – mesmo porque o próprio Yves Saint-Laurent também trabalhava com seus códigos de androginia, vide o clássico smoking feminino e a saharienne. A diferença principal é que o impacto inicial foi negativo: no lugar de influenciar os outros criadores, ele acabou seguindo um caminho até agora quase isolado. Na passarela, como ele traz o pacote completo (ou seja, os jovens descolados em si, músicos e artistas que desfilam, posam pra fotos e tratam essa questão de identificação de gênero de maneira tão misturada, tranquila e natural), o efeito é mais roqueiro e agressivo (em Michele é mais excêntrico e romântico). Mas, se a gente for pensar, no fundo os códigos são bem parecidos: roupas do passado, atitudes do futuro. Muita gente reclama: “Essas roupas eu posso encontrar no B.Luxo! E aquelas, no Minha Avó Tinha!” Pode mesmo. Só que o styling é tão poderoso que a marca se beneficia mesmo assim (vide o crescimento de vendas que Slimane proporcionou pra Saint Laurent).

Na primavera-verão 2016 apresentada na Semana de Moda Masculina de Paris, um exercício de imaginação: e se o grunge nascesse na Califórnia e não em Seattle? Uma mistura de códigos dos universos do surfe e do grunge (portanto com ar de brechó, claro) dá em algo diferente de ambos. Tem patchwork de couro, tem floral bordado, tem os óculos redondos com aro de acrílico (iguais aos de Kurt Cobain), tem franjas, tem animal print, tem tricô de vovó e tem até xadrez! As silhuetas de coqueiro tem um tom Tumblr, meio seapunk, e às vezes tem um tom de… brechó mesmo. Pós-boho, pós-indie. A gente consegue identificar essa estética como “Saint Laurent por Hedi Slimane” cada vez mais. O perigo é ela não se sedimentar antes de misturar tanta coisa e virar… nada.

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