Rober Dognani primavera-verão 2015/16

23.04.2015

Mulher-medusa: aquela que deixa os homens petrificados. Com a sua beleza? Com a sua sensualidade? Com esse ar de “mexe comigo e você está em perigo”? Rober Dognani busca o mito da Medusa pra sua primavera-verão 2015/16 apresentada na Casa de Criadores – e já que em algumas versões da história Medusa seria uma bela mortal que foi amaldiçoada e ganhou os cabelos de serpente, ele procura mostrar essa metamorfose na passarela, começando com looks em branco etéreo-estátua e passando pro preto cada vez mais profundo. Ele continua com seu trabalho com látex, às vezes sobre tecido paetizado e às vezes sobre um tecido com franjas de pelo, animalesco. O estilista está cada vez mais craque no material, como era de se esperar: ele reproduz o couro da cobra com efeito meio escamado, esculpe spikes punks no ombro de um look, encaixa presas no queixo da mulher-naja que fecha a apresentação. E acima de tudo, desenha o corpo da mulher moldando (literalmente) os peitos e a bunda das modelos em looks extrajustos.

Mas quem lê tudo isso pode pensar que o desfile foi mais um daqueles climas dramáticos e densos que Rober sabe fazer. Adivinha? Nada disso: a apresentação fica leve com a ajuda da trilha instrumental divertida-irônica de Felipe Fanaia, com a presença de duas cobras de verdade em uma modelo (que deixaram a fila A petrificada de medo, claro) e com a estampa “Mata a cobra e mostra o pau”, superbem-humorada. E o bacana é que a moda de Rober cresce quando flerta com esse lado mais suave: mostra versatilidade e (ainda mais) criatividade. (Jorge Wakabara)

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