Paula Raia primavera-verão 2017/18

29.08.2017

Na chegada, todo mundo recebe um camisão de linho rosa millennial para vestir- todo mundo mesmo, das editoras às clientes. Faz parte da experiência imersiva de Paula Raia nessa temporada de primavera-verão 2017/18: ela ocupa um espaço de quatro salas com projeção de vídeo e instalações artísticas de Leandro N Lima cheias de cristais, luz de LED e clima viajandão. As modelos ficavam dançando nas ambientações, enquanto os convidados assistiam. Um convite pra contemplação. Algo místico – a uniformização do pessoal ajudava no clima de culto. Mas o mundo da moda, você sabe, não dá conta de ser uniformizado – tinha gente abrindo o camisão, tinha gente deixando-o mais curto – a individualidade fala mais alto.

E sim, o mundo contemporâneo precisa mesmo reaprender esse estado contemplativo. Mas será que o meio de uma semana de moda é o melhor lugar pra isso? Soou um pouco deslocado. A roupa, que agora se descomplica em comparação com as temporadas anteriores, é mais próxima da rua, sem as camadas de detalhes. Isso, pra apresentação mais conceitual que Paula já armou nessa atual fase, também pareceu mais um ruído – o tempo de contemplação combinava com algo mais trabalhado e profundo. Caso fosse fora do calendário da SPFW, ou mesmo o primeiro desfile num domingo no mesmo horário, a coisa teria fluido melhor, e o objetivo de uma quietude, esse estado de energia, seria atingido com mais facilidade. Resumindo: louva-se a tentativa de Paula, mais uma vez, de pensar fora da caixa, de fazer algo diferente, com outra frequência. Mas houve percalços. Já as fotos ficaram lindas – confira na galeria! (Jorge Wakabara)

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