A Också ganha novas camadas em seu desfile

24.07.2018

A Också hoje é, definitivamente, uma marca globetrotter: o seu estilista Igor Bastos vive em Barcelona e parte da produção, por questões logísticas, também fica por lá. E ela vende em diversos países além do Brasil! Mas esse clima internacional não o impede de conversar criativamente com quem está por aqui pro desfile que rolou na Casa de Criadores: a stylist Yumi Kurita uniu e misturou as peças; o make experimental de Guilherme Casagrande traz essas manchas negras, tipo fumaça saindo de partes do rosto; com o fotógrafo Miguel Soll que registra bastidores e passarela em si (“depois esse material vai virar algo, vamos ver”, explica Igor); e com a diretora de arte Roberta Maria de Pádua que traz a performance de Teto Preto. É um grupo da cena noturna de SP, mais especificamente ligado à Mamba Negra, festa de tecno: Laura Diaz, codinome artístico carneosso (tal qual Ângela Carne e Osso do filme “A Mulher de Todos” de Rogério Sganzerla, “a inimiga número um dos homens”), canta nua (“Já fez nudismo? É ótimo para a pele e os nervos…”, dizia Ângela no longa). Loïc Koutana se movimenta livremente pelo desfile, reage ao texto de carneosso com movimentos e espasmos, dança. Artsy-políticos, debochados (como Helena Ignez no papel de Ângela), barulhentos, contemporâneos. 

Deu pra perceber as várias camadas de significado? A coleção toda preta (“pra simbolizar a união de todas as cores”, o estilista conta) se chama Interferência pra simbolizar justamente essa troca, uma comunicação circular da Också com coisas instigantes que vem acontecendo no mundo. Esse desfile marca um novo gravitas pra essa nova fase, onde a roupa segue em seu estudo de formas e modelagens mas no qual a apresentação é importante pra imagem de marca mergulhar nesses outros universos. Ah, e fica de olho também nas bolsas de canvas pintadas à mão, parceria com a marca espanhola A.Gustems. Que venham mais interferências! (Jorge Wakabara)

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