O ufanismo de PatBo pra primavera-verão 2019/20

25.04.2019

Estamos numa democracia, pra começo de conversa (ainda, e que bom): então cada um pode e deve fazer o discurso que acredita. PatBo exalta o Brasil pra essa primavera-verão 2019/20 apresentada durante o SPFW, desde a trilha (com muita bossa nova) às estampas e elementos tropicais. Soa um pouco fora de tom pra quem tem arrepios ao ouvir o lema “Brasil: Ame-o ou Deixe-o” da época da ditadura militar? Soa mesmo, mas pra analisar a situação é preciso levantar dois fatores. O primeiro: não é de hoje que a marca tem como uma de suas características mais fortes a estamparia tropicalista, principalmente nas coleções de verão. Então faz sentido que ela volte ao tema que faz sucesso na clientela. O segundo: PatBo tem focado na exportação. Portanto identificar-se com o país, como um produto Made in Brazil, é acima de tudo estratégico.

Isso tudo posto, é preciso também estar consciente que sua coleção, ao ser apresentada em evento desse porte, vai ser analisada com olhar clínico (e às vezes cínico) não só por seus clientes e usuais compradores mas por jornalistas, influencers, curiosos. Portanto, a mensagem a ser apreendida da coleção vai passar pelos mais diversos pontos de vista. O que se vê é muito ufanista sim, fala de um Brasil utópico, verdejante, esvoaçante, alegre. E tem um verde militar ali no meio, que é tendência não à toa: tempos de vontades bélicas… Despertam perguntas: ao usar um verde militar, estamos propondo um discurso político no look? Ou isso é problematizar demais? Mas a escolha da roupa não faz parte da nossa subjetividade?

Mais da roupa em si, no quesito propostas de moda: é notável a vontade de oversize especialmente nas calças; de uma alfaiataria mais inventiva; de vãos na cintura que valorizam a silhueta e já aparecem bastante nos tapetes vermelhos por aí. (Jorge Wakabara)

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