O híbrido street fashion da À La Garçonne

19.03.2019

Primeiro, um aviso pros fashion-maníacos: se você gostou de alguma tendência da última temporada internacional de outono-inverno 2019/20 e está com pressa de usá-la, é provável que a encontre antes… nessa coleção da À La Garçonne desfilada no Centro Cultural São Paulo. Xadrezes, foco na alfaiataria, casacos oversize, ombrões, coturno, floral de invernomarrom – tá tudo aqui, tipo uma lista de “best of”, e as peças devem chegar antes nas araras já que a À La Garçonne trabalha em esquema “quase see-now buy-now“.

Isso posto, é interessante como essa apresentação da À La Garçonne (destinada também a diferenciar a marca da outra, ÀLG, mais voltada pro streetwear com ticket médio mais baixo e desfilada em fevereiro) gosta mais do hibridismo do que de uma virada de página. Lá fora o que vimos foi uma mudança concreta na direção, com um apreço maior pela alfaiataria e um guarda-roupa mais adulto, de peças intercambiáveis, em detrimento ao street e sportswear – o tênis praticamente sumiu; o moletom quase teve o mesmo destino; o jeans resiste mas em encarnações que pretendem deixá-lo mais sofisticado. Já a direção criativa de Fábio Souza e o estilista Alexandre Herchcovitch soam mais cautelosos pra esse novo caminho, seguindo-o sem ignorar a febre anterior. Ou seja: a alfaiataria aqui é forte e superimportante, mas os looks da parceria com a Olympikus, as referências a recortes de uniforme de motocross coloridão, e mesmo um espírito mais contemporâneo que pergunta “por que escolher ser apenas uma coisa se a mistura é tão interessante?” se mantém como pontos-chave nas fortes imagens de moda da passarela, em clima primo dos universos de Demna Gvasalia, Virgil Abloh e outros.

Esse híbrido também é simbolizado de maneira efetiva e interessante nos óculos gerados com metades bem diferentes em efeito superassimétrico (parceria com Marcio Banfi e Marcio Krakhecke), as calças que são jeans na frente e lã atrás e vice-versa, os looks formados por camiseta com calça xadrez tipo de terno. E o casaco que, no lugar de ser amarrado na cintura, ganha uma alça e vira bolsa?

Parágrafo à parte pra tecnologia da segunda pele, parceria com a Lupo que usa um náilon incrível batizado Sensil BodyFresh da empresa Nilit – ele possui propriedades antiodor! E tem também as meias-calças com os mesmos parceiros, feitas de Sensil Innergy que ativa circulação sanguínea e reduz fadiga muscular. Olha a palavra mágica mais uma vez: é muito bacana e moderno esse híbrido de inovações da indústria caminhando junto com a reutilização de roupa usada, descartada ou de estoque que a À La Garçonne promove. (Jorge Wakabara)

Tags:                                                          

Compartilhar