O desfile silencioso da À La Garçonne

11.03.2018 - 23:29 Desfiles comente!

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A primeira a entrar no corredor que fez as vezes de passarela do desfile da À La Garçonne que rolou nesse domingo, 11/03, na Biblioteca Mario de Andrade no centro de SP, é Fernanda Young. Ela pede silêncio a todos: vai começar. E é assim, sem música (como uma biblioteca em funcionamento precisa), que a apresentação acontece. A escolha do local parece anacrônica pros tempos conectados e googlados de hoje, mas não se engane: existem conteúdos que só um livro te dá, e a Mario de Andrade tinha gente sim, estudando, consultando o acervo, utilizando o espaço. Assim como a ALG de Fabio Souza com estilo assinado por Alexandre Herchcovitch também parece querer dizer que a moda e a roupa não estão se bastando por si só (e quer saber? Não estão mesmo). Eles fazem parceria com a Universal em forma de licenciamento de filmes de entretenimento (“ET”, “Jurassic Park”, “Brinquedo Assassino”, “Tubarão”, “De Volta para o Futuro”), estampam camisetas e moletons com imagens dos longas – tipo nova logomania. Mas o logo da ALG está presente também: o nome da marca aparece em bordado de linha nos jeans ou estampado na blusa da Hering, a sigla é pintada (como sempre) nas costas da jaqueta. E o desfile traz novas ideias mas ao mesmo tempo faz questão de mostrar que aquela peça que você comprou na coleção retrasada continua conversando com essa: slow fashion.

E entre as novas ideias: o oversize fica mais over ainda, com alfaiataria arredondada à casulo; a renda e as franjas de seda em preto são extremamente sensuais; você escolhe entre o acolchoado do colete de Marty McFly ou os raios que fazem o DeLorean DMC-12 viajar no tempo estampados no justinho com fundo preto (ou os dois!); a bolsa-lancheira é nostalgia pura; recortes coloridos em lycra são meio esportivos meio fashionistas; o camuflado comanda (mas o xadrez também domina); a renda amarela levemente dourada brinca de contrastar com a transparência esverdeada, combinação ousada que deixa o fashionista brasileiro arrepiado (vai encarar?); o vermelho e o rosa dominam (separados) mas o laranja do momento pede o seu lugar. Entre as parcerias da vez estão a já citada Hering e New Era (boné e roupa), Hope (lingerie e peças que lembram lingerie), Dickies (roupa), Puket (meia), The North Face (roupa), Vans (tênis) e Humberto Pascuini (camisaria).

E é em silêncio também que o assunto paira no ar: a marca escolheu desfilar fora do SPFW novamente, inclusive distante da data. A importância do evento se relativizou? Os desfiles vão voltar a acontecer de maneira mais espaçada (e menos organizada)? A moda mudou. A ver. (Jorge Wakabara)

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