Marc Jacobs primavera-verão 2018

15.09.2017 - 12:13 Desfiles Nova York comente!

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Silêncio. As modelos entraram no grande quadrado formado pelas cadeiras dos convidados ao desfile de Marc Jacobs de primavera-verão 2018 sem música. E depois de polêmicas sobre apropriação cultural em relação a dreadlocks e hip-hop, a provocação inicial fica por conta do turbante onipresente nos looks. Pra quem não sabe, o turbante é um dos assuntos centrais dessa problemática. Mas tem uma explicação, mesmo que não seja uma justificativa pra quem se sente silenciado e prejudicado com esse uso descontextualizado do acessório: são 25 anos de trabalho e Marc quis resgatar vários ícones de sua história, sendo que o turbante faz parte dela. Você deve lembrar do look de Kate Moss no baile do Met em 2009.

Mas Marc é mais que provocação – com essa auto-revisão, por exemplo, ele retoma o oversize que estava presente em suas criações muito antes da Vetements aparecer. A sua modelagem ampla tem a ver com o grunge e os anos 90, mas também é incluída em casacos de alfaiataria. Outro lado da sua moda que explode nessa passarela silenciosa é o camp, que tem sido explorado por Alessandro Michele na Gucci à sua maneira – mas sim, Marc também fez antes. Cores escandalosas, combinações e atitude exuberantes: a pólo de mangona 3/4 com calça larga e brilhosa de barra apertada mais bota de boxe mais luva preta mais pochete e bolsa carteiro de nylon… O lenço preso com broche na cabeça não nos deixa esquecer que esse look cairia bem numa Little Edie atualizada. A prima de Jackie O., aliás, é uma das musas de Marc a ponto de batizar uma bolsa de sua marca – e mais uma vez ele tenta reproduzir esse charme elegante e divertido de um estilo absurdo e abusado na passarela.

Estampas abstratas lembram Pucci; até os vestidos de festa são usados com sandália baixa, tipo papete esportiva customizada. É um ode ao vestir, ao se montar; é escapista à sua maneira na situação política atual mas também não é nada conservador; e é autêntico na sua ousadia. Na entrada final, os auto-falantes começam a funcionar: é a ária do filme francês “Diva“, de 1981, que fecha a apresentação.

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